A luta de uma família em tempos de crise

Sete anos depois de a Grécia mergulhar numa profunda crise económica, aqueles que vivem no limiar da pobreza foram duramente atingidos. A família Argyros é um exemplo emblemático da pobreza na Grécia após anos de austeridade exigida pelos credores internacionais do país.

Cinco anos depois de terem trocado a sua árida ilha de Leros, no mar Egeu, por Atenas, estão presos num círculo vicioso de desemprego e dívidas.

Kostas Argyros, 35 anos, só consegue trabalhos ocasionais como faz-tudo e a sua mulher, Olga, de 30, enfermeira, está desempregada há quase uma década.

Vivem num pequeno apartamento de 49 metros quadrados com os seus quatro filhos pequenos e queimam madeira para aquecer a casa no inverno. A comida é cozinhada num pequeno fogão a gás e a água quente escasseia.

A única luz à noite é a do ecrã do televisor, com medo de acumular ainda mais dívidas. Lâmpadas de cinco watts dão uma luz turva. A vida com que sonhavam parece cada vez mais distante. "Viemos para cá para ter um futuro melhor", diz Olga. "Mas as coisas vão de mal a pior."

A Grécia está no terceiro resgate internacional desde 2010, lutando para controlar a enorme dívida que deixou o país à beira de ser expulso da zona euro.

Em troca do dinheiro, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional exigiram austeridade orçamental, com mais de uma dúzia de cortes nas pensões.

Um quarto da população ativa está desempregada e cerca de um terço vive na pobreza.

Jornalista da Reuters

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