"A gestão de Dilma Rousseff levou o país a uma tempestade perfeita"

Simione Tebet, senadora do PMDB pelo Mato Grosso do Sul, é defensora do impeachment. Ao DN diz: "Sem preocupação com a reeleição, Temer tomará medidas necessárias para retomar as rédeas do Brasil"

A horas da decisão final do impeachment ainda teme uma reviravolta no processo com a absolvição da presidente afastada?

Acho muito improvável. Provavelmente teremos 59 a 60 votos a favor do impeachment.

O processo foi longo e demorado: acha que o país já está cansado da discussão e quer, o mais rapidamente possível, uma definição?

Certamente. Precisamos de virar essa página. Tenho dito que estamos passando pela maior crise política, institucional e económica dos últimos tempos. Com uma definição, poderemos seguir adiante em busca da retomada do crescimento, da geração de empregos e do controlo da inflação.

Acredita nos argumentos da defesa, quando insiste que, do ponto de vista pessoal, Dilma é honesta?

A questão é ver se havia ou não a gravidade dos factos a ponto de levar o impeachment adiante. Entendo que não basta analisar os factos isoladamente. Para acontecer o impeachment, numa democracia moderna, é preciso que haja uma tempestade perfeita. A gestão da Dilma levou o país à tempestade perfeita e, em consequência, ao impeachment. Está caracterizado o crime de responsabilidade. Muitos dizem que parece pouco. Mas estamos num país que vive a sua maior crise política, económica e social por uma série de questões relacionadas à gestão dessa presidente. Então, os factos mencionados no processo existiram. Analiso esses factos. Mas não tenho como me basear apenas neles. Tenho de analisar todo o contexto para decidir se absolvo ou não. É um julgamento político.

Caso assuma, quais deveriam ser as prioridades de Michel Temer?

É preciso reequilibrar a economia e devolver ao país a credibilidade junto ao mercado e aos investidores estrangeiros. No Congresso, devemos debater as medidas como o teto de gastos, redução dos gastos públicos, ajustamento orçamental, reforma da previdência e reforma política.

Defende candidato do PMDB para 2018 ou não acha essencial?

Não acho essencial. Acho, inclusive, que sem a preocupação com a reeleição, Temer tomará medidas necessárias para retomarmos as rédeas dos rumos do Brasil.

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