Trump desvia as atenções com foto de Obama e Clinton atrás das grades

Donald Trump retransmitiu uma mensagem com os ex-presidentes presos e o pedido de que sejam julgados por traição. Isto quando se espera pelas conclusões das investigações à influência da Rússia nas presidenciais

"Agora que o conluio com a Rússia é uma mentira provada, quando é que os julgamentos por traição começam?". A pergunta é feita numa mensagem do Twitter por parte da conta The Trump Train, pró-presidente dos Estados Unidos. A acompanhar a pergunta, uma fotomontagem com várias personalidades norte-americanas, encabeçadas pelos ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton, a candidata derrotada Hillary Clinton, os procuradores Robert Mueller e Eric Holder e oex-diretor do FBI James Comey.

A mensagem foi retransmitida pelo presidente dos Estados Unidos, que nos últimos dias tem estado especialmente ativo na crítica ao procurador especial Robert Mueller. Mueller está a investigar a interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 bem como o alegado conluio com a campanha de Donald Trump.

"A quadrilha dos furiosos democratas de Mueller dizem de forma cruel para as testemunhas mentirem sobre os factos. É uma nova era Joseph McCarthy", escreveu em referência ao senador que nos anos 50 encabeçou uma "caça às bruxas" de quem fosse suspeito de ter simpatias comunistas.

Ontem, o ex-diretor de campanha de Trump, Paul Manafort, foi acusado por Robert Mueller de ter mentido, pelo que o acordo judicial que tinha ficou sem efeito e terá de cumprir uma pena de prisão por vários crimes.

Também ontem Manafort foi notícia porque o Guardian revelou que o homem de negócios reuniu-se diversas vezes com o líder da Wikileaks Julian Assange. Ou seja, Manafort poderá ter sido a peça de contacto entre a campanha de Trump, os russos e a Wikileaks.

O procurador especial Robert Mueller dirige há 18 meses uma investigação que pelo caminho já acusou e sentenciou seis pessoas, duas delas (Rick Gates e Paul Manafort) por conspiração contra os Estados Unidos. Há ainda 27 cidadãos russos acusados de diversos crimes.

Livros como Roleta Russa, de Michael Isikoff e David Corn, ou Proof of Collusion, de Seth Abramson, demonstram que Donald Trump teve ligações com pessoas ligadas aos círculos de Vladimir Putin (e a querer fazer negócios) quando já era candidato presidencial.

O relatório final de Robert Mueller é esperado nos próximos meses. Se concluir que o presidente infringiu a lei, terá três opções: deixar a decisão para o Congresso, que tem o poder de destituição; levar o caso a um júri que depois envia um relatório para o Congresso; ou acusar Donald Trump. Todas as opções têm um longo caminho legal a percorrer.

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