42 feridos e vários detidos em manifestação contra Supremo Tribunal

Organização dos Estados Americanos condena repressão de manifestação pacífica

Pelo menos 42 pessoas ficaram feridas na terça-feira, em Caracas, e várias foram detidas numa manifestação contra o Supremo Tribunal, que acusou a oposição de querer destruir a estabilidade na Venezuela.

"Um ferido por arma de fogo, uma jovem com traumatismos vários que foi atropelada pela Guarda Nacional, oito pessoas com fraturas e mais de 32 feridos ligeiros", disse o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), em conferência de imprensa, horas depois de terminado o protesto.

Julio Borges explicou que o balanço foi conseguido através de informações reunidos por vários partidos que integram a aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD, oposição) e com dados "recolhidos em vários serviços de saúde" de Caracas.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, condenou hoje "o uso de gás lacrimogéneo, armas de fogo, balas de borracha e repressão de manifestantes pacíficos na Venezuela".

"O que aconteceu em Caracas leva-me a condenar do modo mais enérgico a brutal repressão levada a cabo pelo Governo da Venezuela, contra manifestantes nas ruas da capital venezuelana", afirmou Luís Almagro, num comunicado a que a agência Lusa teve acesso.

A manifestação de terça-feira, "convocada ao abrigo do direito à livre expressão e à liberdade de protestar para que sejam destituídos magistrados do Supremo Tribunal de Justiça, foi reprimida com violência pela Polícia Nacional Bolivariana, à qual se somaram forças civis de choque, ao serviço do regime autoritário instalado em Caracas", frisou.

"Este novo atropelo constitui uma violação adicional dos direitos civis e políticos da população" e um atentado contra "o direito à vida e à integridade física dos opositores venezuelanos", afirmou.

"Como secretário-geral da OEA, vejo-me uma vez mais na obrigação de exigir ao governo venezuelano o fim imediato da ilegalidade, o restabelecimento da democracia, o reconhecimento das liberdades civis e políticas das pessoas e o imediato fim da repressão", concluiu.