Zuckerberg vai ser ouvido no Parlamento Europeu

Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, anunciou hoje que o fundador do Facebook aceitou dar explicações aos líderes dos grupos políticos europeus, em Bruxelas, provavelmente na próxima semana. Uma parte dos eurodeputados exige que a audição seja pública como aconteceu no Congresso dos EUA

"O fundador e diretor executivo do Facebook aceitou o nosso convite para estar em Bruxelas o mais rapidamente possível, provavelmente na próxima semana, para se reunir com os líderes dos grupos políticos e o presidente e relator da Comissão para as Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos[LIBE]", disse hoje, em comunicado, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, realçando que os cidadãos "merecem uma explicação detalhada" e que o encontro com Mark Zuckerberg visa "restaurar a confiança" através dos representantes de "500 milhões de europeus".

Zuckerberg irá responder às perguntas dos líderes dos grupos políticos europeus sobre o uso indevido de dados de 87 milhões de utilizadores do Facebook, após as revelações sobre a Cambridge Analytica, que trabalhou para a campanha da eleição de Donald Trump em 2016 e, alegadamente, para a campanha do brexit, também em 2016. Até agora, o americano, de 33 anos, tem recusado comparecer perante o Parlamento do Reino Unido.

À Comissão Europeia, em abril, em resposta a um pedido de esclarecimento, o Facebook admitiu que terão sido acedidos, indevidamente, os dados de 2,7 milhões de utilizadores, sendo 63 080 portugueses. No dia 25 deste mês, entra em vigor na União Europeia o Regulamento Geral sobre a Proteção dos Dados Pessoais. Este vai alterar a forma como as empresas, online e offline, gerem e armazenam os dados dos seus utilizadores. Todas as entidades corporativas, Facebook incluído, vão ter que se adaptar à nova legislação.

No início de abril, o fundador do Facebook, compareceu perante o Congresso dos EUA. Entre outras coisas, Zuckerberg admitiu que a rede social que criou consegue até recolher dados de pessoas que nem sequer têm conta de Facebook. Muitos eurodeputados, quando viram Antonio Tajani propor uma audição à porta fechada no Parlamento Europeu, argumentaram que queriam uma comparência igual à que aconteceu nos EUA.

"Eu não irei ao encontro com Zuckerberg se for à porta fechada. Tem que ser uma audição pública - porque não em direto no Facebook? Lamento profundamente que o Partido Popular Europeu (PPE) tenham alinhado com a extrema-direita para que tudo seja feito à porta fechada", escreveu hoje, no Twitter, o líder dos liberais do ALDE, Guy Verhofstadt, defendendo o acesso público à audição.

Segundo o Politico, os líderes dos grupos políticos responderam, como tinham que fazer até às 15.00, a Tajani. Mas a proposta do presidente do Parlamento Europeu recolheu o apoio de uma maioria magra e não faltaram sugestões para alterar os moldes da comparência do diretor executivo do Facebook em Bruxelas. Também o grupo dos Socialistas e Democratas, por exemplo, exigiu uma audição "nos mesmos termos da que houve nos EUA".

"A Conferência de Presidentes decidiu organizar ainda uma audição com o Facebook e outras partes. Esta audição permitirá à Comissão LIBE, bem como a outras, a oportunidade de levar a cabo uma análise aprofundada sobre aspetos relacionados com a proteção pessoal de dados", refere ainda Tajani, no comunicado hoje divulgado.

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