YouTube acusado de não contratar homens brancos e asiáticos

Arne Wilberg, ex-funcionário do YouTube, instaurou um processo contra a plataforma de vídeos por esta se recusar a entrevistar pessoas que não fossem mulheres, negros e hispânicos

Propriedade da Google, o YouTube está a ser processado por um ex-funcionário, Arne Wilberg, que acusa a empresa de se recusar a contratar homens brancos e asiáticos no âmbito de uma política de diversidade dos trabalhadores.

No processo, o antigo recrutador da plataforma de vídeos, um homem branco, de 40 anos, refere que a empresa decidiu estabelecer uma quota para contratar minorias, discriminando homens brancos e asiáticos. De acordo com o jornal USA Today, Wilberg alega que foi despedido em novembro depois de apresentar uma queixa aos seus superiores e aos recursos humanos sobre as "práticas de contratação ilegais e discriminatórias".

A ação judicial deu entrada no San Mateo County Superior Court em janeiro.

Apesar das queixas, o último relatório de diversidade da empresa mostra que apenas 31% dos trabalhadores da empresa são mulheres

Num comunicado enviado ao Wall Street Journal, Gina Scigliano, porta-voz da empresa, garantiu que as contratações são feitas com base na competência dos candidatos. "Temos uma política clara de contratar com base no mérito e não na identidade", defendeu. E assumiu: "Ao mesmo tempo, tentamos encontrar um grupo diverso de candidatos qualificados para funções abertas, já que isso nos ajuda a contratar pessoas, a melhorar a nossa cultura e a construir produtos melhores".

Esta não é a primeira vez que o Google é acusado de discriminação na hora de contratar. O antigo engenheiro da gigante tecnológica, James Damore, também recorreu à justiça em janeiro para alegar que a empresa discrimina homens brancos e conservadores. No ano passado, Damore foi despedido depois de ter distribuído um memorando, no qual referia que os esforços do Google em aumentar a diversidade estavam errados, em parte por causa das diferenças biológicas entre homens e mulheres, gerando grande controvérsia.

Apesar das queixas, o último relatório de diversidade da empresa mostra que apenas 31% dos trabalhadores da empresa são mulheres e que este número cai para 20% em setores diretamente relacionados com tecnologia. Quanto à etnia, 56% dos empregados são brancos e 35% asiáticos.

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