Polícia investiga familiar de Lula da Silva e obra feita em Angola

Uma empresa, ligada um sobrinho da ex-mulher de Lula da Silva, recebeu por uma obra em Angola "879 mil euros", quando o financiamento era de " 413 milhões de euros"

A Polícia Federal começou esta sexta-feira a investigar contratos da construtora brasileira Odebrecht com o empresário Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que envolvem uma obra em Angola.

O comunicado da Polícia Federal refere apenas que a "Operação Janus" visa "verificar se contratos da Odebrecht com uma empresa do ramo de construção civil em nome de parentes de um ex-agente público foram utilizados para o pagamento de vantagens indevidas", mas a imprensa local avança que se trata do familiar do ex-chefe de Estado.

As entidades policiais investigam "a prática dos crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro", segundo a polícia, que cumpre hoje "quatro mandados de busca e apreensão, duas conduções coercitivas [levar para depoimento] e cinco intimações" na cidade de Santos, no Estado de São Paulo.

A investigação, segundo o comunicado, "pretendia investigar se a construtora Odebrecht teria, entre os anos de 2011 e 2014, pago suborno em troca de facilidades na obtenção de empréstimos de interesse da multinacional junto ao BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento].

A polícia desencadeou esta operação para "esclarecer quais as razões para a Odebrecht ter celebrado contratos, entre 2012 e 2015, com uma empresa de construção civil de pequeno porte com sede em Santos para a realização de obras complexas em Angola", lê-se no texto.

Segundo a investigação, apenas pelos seus "serviços nas obras de reforma do complexo hidrelétrico de Cambambe", em Angola, a empresa recebeu "3,5 milhões de reais (879 mil euros)", embora a obra tenha recebido financiamento do BNDES de "464 milhões de dólares (413 milhões de euros)".

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1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?