Nove estados norte-americanos já permitem funcionários de escolas armados

Mais de 220 distritos escolares autorizaram, em agosto, o programa que permite o porte e uso de armas de fogo por funcionários escolares para proteger os estudantes

Já são mais de 220 os distritos escolares autorizaram o programa que permite o uso e porte de armas de fogo por funcionários das escolas para proteger os estudantes, no estado do Texas, EUA. O que já representa 20% dos distritos escolares no estado norte-americano, segundo a Associação de Conselhos Escolares do Texas.

Dos 1031 distritos escolares no estado texano, 170 já tinham adotado o programa em fevereiro. O número está agora nos 227 distritos e os programas de treino surgiram este verão, depois de um atirador ter matado 17 estudantes e vários funcionários, em Parkland (Florida), e outro ter matado oito estudantes e dois professores em maio, numa escola secundária, em Santa Fé (Texas), de acordo com o Huffington Post.

"Há necessidade de o fazermos", disse um "marechal" do distrito escolar de Wylie Independent, Bessent, que já foi publicamente identificado e, por isso, pôde falar em nome do programa. "A responsabilidade de um 'marechal' escolar é isolar, distrair e neutralizar a ameaça. Se [os atiradores] estiverem a disparar contra o 'marechal' escolar, não estão a disparar contra as crianças e os professores", explicou.

As escolas texanas também colocaram cartazes nos edifícios para dissuadir ataques às instituições. Em Peaster, no norte do Texas, há uma escola com o seguinte cartaz: "Os funcionários da Peaster ISD estão armados e poderão usar a força necessária para proteger os nossos estudantes".

As opiniões divergem, contudo, de estado para estado. Entre os estados que consideraram a implementação desta legislação, apenas a Florida aprovou o novo sistema, além do Texas. A legislação, que é apoiada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi contestada por uma coligação que incluía educadores, grupos das forças da autoridade, pais e estudantes da escola de Parkland.

A lei da Florida, apesar de colocar algumas restrições, criou um programa orçado em 67 milhões de dólares (58,5 milhões de euros) para que os xerifes e superintendentes possam armar funcionários escolares, com exceção de professores que lecionem a tempo inteiro.

Os legisladores do estado do Alabama rejeitaram o diploma que permitiria aos professores e funcionários da administração o porte de armas de fogo, mas a governadora, a republicana Kay Ivey, criou o "Programa de Sentinela do Alabama" para contrariar a rejeição da lei e armar a administração dos campus universitários. A medida foi denunciada pelos legisladores democráticos.

Na Califórnia, vários distritos escolares utilizaram uma lacuna​​​​​ no "Ato das Zonas Escolares Livres de Armas de Fogo" para autorizar o porte de armas aos funcionários que já as tivessem licenciado a título pessoal. Uma lei assinada em outubro pelo governador californiano, o democrata Jerry Brown, retificou a exceção.

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