Informático da Mossack Fonseca detido em Genebra

O funcionário foi colocado em prisão preventiva por suspeita de remoção de documentos confidenciais

Um funcionário da área informática do escritório em Genebra da Mossack Fonseca, a sociedade de advogados que está no centro do escândalo dos Documentos do Panamá, foi detido, noticiou hoje o jornal suíço Le Temps.

O jornal, que cita uma fonte próxima do caso, escreveu que o funcionário foi colocado em prisão preventiva por suspeita de remoção de uma grande quantidade de documentos confidenciais.

O porta-voz do gabinete do ministério público de Genebra, Henri Della Casa, disse à agência de notícias francesa AFP que foi aberto um processo-crime na sequência de uma queixa apresentada pela Mossack Fonseca, mas escusou-se a comentar se foi ou não feita uma detenção.

O homem, acusado de roubar informação e de acesso indevido a um sistema informático, foi detido há vários dias e o ministério público realizou buscas nas instalações da firma de advogados em Genebra, segundo uma fonte próxima do processo.

Estão em curso peritagens para esclarecer se o informático realmente retirou dados ao seu empregador e, se se provar que sim, que tipo de dados e em que período.

De acordo com o Le Temps, o primeiro a anunciar a detenção do informático, nada permite dizer, nesta altura, que se trata do homem que dá pelo nome de "John Doe" e que afirma ter estado na origem das revelações dos "Panama Papers".

Bastian Obermayer, o jornalista que liderou as investigações no jornal alemão Süddeutsche Zeitung declarou ao The Guardian que "o homem preso não era uma das fontes" do caso dos papéis do Panamá. "Este não é o John Doe", afirmou também no Twitter.

Desde o início de abril, os "Panama Papers", divulgados por um consórcio de jornalistas de investigação e baseados em cerca de 11,5 milhões de documentos provenientes da sociedade de advogados Mossack Fonseca, levaram à abertura de muitos inquéritos em todo o mundo e à demissão do primeiro-ministro islandês e de um ministro espanhol.

Os documentos revelaram, de uma maneira geral, a utilização em grande escala de empresas 'offshore' para colocar dinheiro em territórios com legislação opaca e fraca fiscalidade.

A 05 de abril, a Mossack Fonseca afirmou ter sido vítima de pirataria informática operada a partir dos servidores estrangeiros e ter apresentado queixa do caso.

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