Ilha para criminosos estrangeiros vai mesmo avançar

Parlamento da Dinamarca aprovou e inclui no Orçamento para 2019 a construção do centro para imigrantes que cumpriram penas de prisão e não podem ser deportados

Apesar das fortes críticas da ONU e dos partidos da oposição, o Parlamento dinamarquês aprovou, esta quinta-feira, o financiamento de um plano para isolar os criminosos estrangeiros numa pequena ilha de difícil acesso, que atualmente aloja laboratórios, estábulos e crematórios de um centro de investigação de doenças animais contagiosas, como a gripe suína e a raiva.

O financiamento foi incluído no orçamento dinamarquês para 2019. O centro para pessoas condenadas por crimes que vão desde homicídio e violação mas que incluem também ofensas menos graves será inaugurado em 2021 e vai custar 759 milhões de coroas (92 milhões de libras).

O país tem assumido uma linha cada vez mais dura em relação à imigração, como prova a intenção do Governo em enviar até 100 pessoas que cumpriram penas de prisão, mas não podem ser deportadas para os países de origem porque correm risco de tortura ou de execução. A ilha de Lindholm será o destino destes "indesejáveis".

Um ferry que serve a ilha de três hectares (7 acres) localizada a sudoeste de Copenhaga, tem o nome "vírus". Segundo o plano, os imigrantes podem deixar a ilha durante o dia, mas terão que informar as autoridades do seu paradeiro e terão de pernoitar na ilha.

O plano de enviar imigrantes que já cumpriram penas de prisão para uma ilha isolada provocou uma forte oposição no município de Vordingborg, do qual Lindholm faz parte. "As pessoas acham que não é a solução para os problemas reais", disse o presidente da câmara Mikael Smed, citado pelo Guardian.

A maioria dos criminosos estrangeiros cujas deportações não podem avançar está detida num centro na Jutlândia, no oeste da Dinamarca.

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