Governo de Moçambique diz desconhecer violações em troca de ajuda humanitária

Vice-ministra do Interior de Moçambique, Helena Mateus Khida, disse não ter qualquer conhecimento de casos de mulheres obrigadas a ter sexo em troca de ajuda humanitária, no âmbito da resposta ao ciclone Idai, mas que a situação irá ser averiguada.

A vice-ministra do Interior de Moçambique afirmou esta quarta-feira que o governo está atento a um eventual aumento da criminalidade após o ciclone Idai, mas que tal não se registou, e disse desconhecer violações em troca de ajuda humanitária.

Helena Mateus Khida falava aos jornalistas na cidade da Praia, em Cabo Verde, onde participa na V reunião dos ministros do Interior e da Administração Interna da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).

A catástrofe que atingiu Moçambique após a passagem do ciclone Idai, em meados de março, foi recordada na cerimónia de abertura e está a ser motivo de análise dos participantes que pretendem criar um mecanismo comum aos países da CPLP para uma intervenção atempada em caso de acidentes naturais como este.

Para Helena Mateus Khida, apesar dos "resultados catastróficos" do ciclone, com "avultadas penas humanas e materiais", conforta os moçambicanos a ajuda que receberam e continuam a receber.

"Tivemos todo o tipo de apoio. Não podemos dizer que faltou alguma área que não tenha sido abraçada por este apoio", disse, exemplificando: "Tivemos apoio monetário, material, humano. Recebemos aviões, hospitais de campanha, medicamentos".

Após a resposta de emergência e aos casos de doença que entretanto surgiram, as autoridades estão também atentas a uma eventual "eclosão de casos de criminalidade".

"Felizmente, parece que toda a gente está preocupada em primeiro reerguer. É uma preocupação, sim, mas felizmente estamos a ter uma resposta no sentido contrário. Parece que toda a gente está afetada e não sobra tempo para pensar em atos de criminalidade", disse.

Questionada sobre a existência de casos de mulheres obrigadas a ter sexo em troca de ajuda humanitária, como recentemente foi noticiado pelo Jornal da Notícias, Helena Mateus Khida disse não ter qualquer conhecimento da situação, mas que a mesma irá ser averiguada.

A vice-ministra do Interior enalteceu a ajuda da CPLP a esta tragédia que, na sua opinião, mostrou como os países estão "vulneráveis" aos efeitos das alterações climáticas.

"Estamos muito vulneráveis. Existe uma necessidade muito grande de se repensar na forma de responder atempadamente a este tipo de tempestades. Não podemos evitar, mas podemos organizar-nos para respondermos com maior prontidão e eventualmente encontrarmos políticas que permitam uma resposta que venha eventualmente a evitar danos maiores", disse.

Sobre a dimensão da tragédia provocada pelo Idai, Helena Mateus Khida afirmou que esta só será conhecida quando a água desaparecer.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique a 14 de março, causou um total de 603 vítimas mortais, tendo afetado mais de 1,5 milhões de pessoas.

A CPLP criou um fundo de emergência de apoio a Moçambique que conta atualmente com 1,5 milhões de euros.

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