Hong Kong. Metro para o aeroporto suspenso devido aos protestos

Manifestantes estão a interromper as ligações rodoviárias para ao aeroporto. Protestos de sábado resultaram em 31 feridos e 40 detenções

A empresa gestora do metro de Hong Kong decidiu este domingo suspender os serviços para o aeroporto internacional do território, um dos mais movimentados do mundo, devido aos protestos na antiga colónia britânica.

De acordo com a estação RTHK, a operadora MTR anunciou a decisão por volta das 13:30 (06:30 em Lisboa), com base num parecer do Governo e da Autoridade Aeroportuária de Hong Kong.

Manifestantes pró-democracia tinham já planeado interromper as ligações rodoviárias e ferroviárias para o aeroporto durante a tarde, um dia depois de se terem registado violentos confrontos entre a polícia e manifestantes em vários pontos da cidade. Há manifestantes a pé junto nas estradas e carros parados, mas também os há dentro das instalações do aeroporto, muitos com guarda-chuvas abertos.

Entretanto, de acordo com o jornal South China Morning Post, centenas de manifestantes estão já reunidos no aeroporto, onde estão a formar barricadas.

Esta manhã, as autoridades informaram que pelo menos 40 pessoas foram detidas na sequência de protestos não autorizados no sábado, durante os quais 31 pessoas ficaram feridas, cinco em estado grave.

Em Victoria Park, dois polícias foram cercados e atacados por um grupo, obrigando-os a disparar dois tiros de aviso para o ar, informaram as forças de segurança num comunicado no qual se condena a "escalada de violência" e o uso de "armas letais" por parte dos manifestantes.

Após um protesto pacífico que juntou milhares de pessoas no centro da cidade, alguns manifestantes envolveram-se em confrontos com a polícia junto à sede do Governo, para rumarem depois para Wan Chai, Causeway Bay e North Point, bloqueando ainda várias outras ruas na ilha de Hong Kong, numa das quais atearam fogo a uma barricada que representou "um sério perigo para os moradores", indicou a polícia.

Milhares de pessoas também se manifestaram ilegalmente em vários distritos de Kowloon, cercaram esquadras, bloquearam estradas e vandalizaram edifícios públicos e estações de metro. Numa delas, em Prince Edward, foram realizadas dezenas de detenções, com a polícia a perseguir os manifestantes e a lançar gás pimenta sobre estes, depois de muitos deles terem trocado de roupa para se misturarem com os passageiros.

Os polícias deixaram de fazer policiamento a pé pelas ruas para evitar emboscadas às forças de segurança. Esta semana, um ativista foi atacado com tacos de basebol por homens com o rosto tapado. Um polícia foi alvo também de um violento ataque com uma faca à saída de um turno, na sexta-feira.

As reivindicações dos manifestantes

Em Hong Kong vive-se um impasse político, depois de os manifestantes terem exigido inicialmente a retirada de uma lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China, para depois somarem outras reivindicações, uma delas o sufrágio universal naquela região administrativa especial chinesa.

A chefe do Governo admitiu chamar a si poderes reforçados face à situação de emergência que se vive no território e com a China a estacionar tropas na cidade vizinha, Schenzen.

O movimento pró-democracia definiu cinco reivindicações: a retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial, a demissão da chefe de governo Carrie Lam e sufrágio universal nas eleições para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei da extradição garantem estar agora em causa.

Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário. O Governo central chinês é responsável pelas relações externas e defesa.

Os protestos em Hong Kong duram há quase três meses e já resultaram em mais de 800 detenções.

Algumas manifestações, esta semana, incluíram proeminentes ativistas e três deputados do parlamento.

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