Homens dos mísseis e íntimos de Kim Jong-un são alvo de sanções

Dois dos principais responsáveis pelo programa de mísseis balísticos estão na lista de sanções dos EUA. E gozam de uma relação privilegiada com o líder do regime

São íntimos do líder do regime norte-coreano, Kim Jong-un, desfrutam da raríssima honra de viajarem no avião privado deste e surgem frequentemente a seu lado, geralmente sorridentes, muitas das vezes em imagens relacionadas com testes de mísseis - o que não é um acaso. Ri Pyong Chol e Kim Jong Sik são os dois principais responsáveis por este programa e, por isso, são as duas mais recentes personalidades a serem alvo de sanções dos Estados Unidos por essa mesma razão.

Ri Pyong Chol é um antigo general da força aérea e Kim Jong Sik é um cientista espacial. E estão agora impedidos de qualquer tipo de relação com cidadãos americanos e verão quaisquer eventuais bens ou valores seus bloqueados nos EUA e em qualquer entidade ou território sob jurisdição americana. Ainda que desempenhando funções relevantes na época em que Kim Jong-il, o pai de Jong-un, dirigiu a Coreia do Norte (1994-2011), foi com a chegada ao poder deste último que viram reforçadas as suas posições. Ri nasceu em 1948, são conhecidas muito poucas deslocações suas ao estrangeiro e foi militar durante quatro décadas antes de assumir as atuais funções. É considerado um dos conselheiros mais próximos do líder do regime.

Kim Jong Sik, de quem não é conhecida a idade embora aparente estar na casa dos 50, é considerado um dos responsáveis máximos do programa de mísseis e ainda que não tenha passado militar foi promovido a major-general em fevereiro de 2015. É formado em Engenharia Aeronáutica.

Um sinal da proximidade de Jong Sik a Kim Jong-un pode aferir-se pelo facto de ter ficado sentado ao lado da mulher deste, Ri Sol Ju, no banquete realizado em fevereiro de 2016 para assinalar o lançamento com sucesso de um foguetão, o U"nha-4. É visto regularmente ao lado de Jong-un nas deslocações que este efetua a instalações ligadas aos programa nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte.

Segundo indicava ontem a Reuters, Kim Jong Sik tem dirigido a transição do combustível líquido para o sólido (mais estável e seguro) nos mísseis norte-coreanos, enquanto Ri Pyong Chol tem desempenhado papel importante no desenvolvimento do programa de mísseis balísticos intercontinentais, cujo mais recente lançamento ocorreu a 29 de novembro. Pyongyang anunciou então que passara a dispor de mísseis capazes de visar todo o território dos EUA. Dias antes, Washington tinha voltado a colocar a Coreia do Norte na lista de Estados patrocinadores ou apoiantes de terrorismo e o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovara, por unanimidade, mais sanções, procurando limitar o acesso de Pyongyang a combustível e produtos derivados do petróleo assim como a divisas obtidas pelos seus nacionais a trabalharem no estrangeiro.

A posição privilegiada de Kim Jong Sik e de Ri Pyong Chol no regime pode igualmente aferir-se pela respetiva linguagem corporal: exibem grande à-vontade junto de Kim Jong-un, mantendo uma postura direita e falando com ele sem obsequiosidade e sem colocarem uma mão à frente da boca, como sucede com a maior parte dos interlocutores deste; são vistos a sorrir e a fumar com o líder de forma descontraída.

Para uma fonte oficial sul-coreana, citada pela Reuters sob anonimato, "Kim Jong-un está a preparar uma nova geração de pessoas distinta da que serviu sob o seu pai". Um dado posto em relevo por vários analistas do regime de Pyongyang é que nenhum dos dois, assim como uma terceira figura considerada central no programa de mísseis (o tenente-general Jang Chang Ha), nasceu numa família da elite.

Ri Pyong Chol, Kim Jong Sik e Jang Chang Ha têm a responsabilidade de um programa iniciado no final do século XX por um outro trio de personalidades, uma das quais (Jon Pyong Ho) já morreu, sendo os dois restantes (So Sang Guk e O Kuk Ryol) bastante idosos, recordava ontem a Reuters. E segundo o analista Michael Madden, vão continuar com essa responsabilidade e próximos de Kim Jong-un enquanto tiverem sucesso. "Eles estão nestas funções por mérito", explica Madden.

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