Herdeira dos biscoitos pede desculpas por defender trabalho escravo na era nazi

Verena Bahlsen, de 25 anos, foi alvo de críticas após afirmar que a fábrica da família "não fez nada de errado" ao usar trabalho escravo durante a época nazi.

"Foi um erro amplificar o debate com respostas impensadas"afirmou Verena Bahlsen num comunicado. A herdeira da Bahlsen, que produz vários tipos de bolachas e biscoitos, foi alvo de duras críticas após ter afirmado que a empresa da sua família, atualmente liderada pelo pai, "não fez nada de errado" ao recorrer a trabalho escravo durante a época nazi.

A empresa distanciou-se rapidamente dos comentários da herdeira de 25 anos e não faltaram críticas a acusá-la de estar a "limpar a História".

A Bahlsen empregou cerca de 200 trabalhadores escravos entre 1943 e 1945 - na sua maioria mulheres vindas da Ucrânia ocupada pelos nazi para a Alemanha.

A polémica começou numa conferência, quando Verena Bahlsen afirmou diante dos presentes: "Sou capitalista. Detenho um quarto da Bahlsen. É ótimo. Quero comprar um iate e coisas assim".

O comentário terá arrancado aplausos e risos à audiência, mas chegou às páginas dos jornais através do Handelsblatt, mas alguns utilizadores de redes sociais denunciaram a falta de sensibilidade da herdeira de uma empresa que durante a II Guerra Mundial usou trabalho escravo.

Questionada sobre esse facto pelo Bild, Verena Bahlsen explicou: "Isso foi antes de eu nascer, e pagávamos aos trabalhadores escravos tanto como aos alemães e tratávamo-los bem". E acrescentou que a empresa não tem porque se sentir culpada.

Estas palavras só vieram reforçar a polémica. E a herdeira já veio pedir desculpas, admitindo ter falado sem pensar. "Como próxima geração temos uma responsabilidade para com a nossa História. Peço desculpas a todos aqueles cujos sentimentos feri".

A Bahlsen é uma empresa de produtos alimentares sediada em Hamburgo. Fundada em 1889 por Hermann Bahlsen. É hoje liderada pelo neto deste, Werner Bahlsen.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.