Guerra contra o terrorismo: Alemanha quer médicos a denunciar doentes suspeitos

Após cinco ataques, governo alemão vai apresentar novas medidas para luta antiterrorista, que incluem acelerar as deportações

David Sonboly, o atirador de 18 anos que matou nove pessoas num centro comercial de Munique antes de se suicidar, a 22 de julho, tinha recebido tratamento psicológico, por causa de uma depressão. Dois dias depois, Mohammad Daleel fazia-se explodir em Ansbach, ferindo 15 pessoas. Também ele tinha passado pelo psicólogo, por causa de duas tentativas de suicídio. Agora, segundo o tabloide Bild, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, quer que os médicos possam quebrar a confidencialidade dos pacientes e denunciá-los às autoridades se acreditarem que eles são uma ameaça à segurança pública.

Esta é uma das medidas que o ministro deverá apresentar hoje como parte de um pacote para combater o terrorismo, depois de cinco ataques no espaço de uma semana terem deixado 15 mortos. Dois dos ataques foram reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico e em três deles os atacantes eram requerentes de asilo.

Mas a proposta de acabar com a confidencialidade médica já está a levantar polémica, com a Associação Federal de Médicos a acusar o ministro de atuar de forma inconstitucional. "A tensa situação de segurança não deve seduzir as pessoas para soluções políticas e legais apressadas. A confidencialidade entre médicos e pacientes é um direito básico protegido pela Constituição", indicou o líder da associação, Frank Ulrich Montgomery.

De acordo com a imprensa alemã, as propostas passam ainda por acelerar as deportações dos que veem recusado o pedido de asilo no país e estabelecer que os estrangeiros podem ser deportados também se constituírem uma "ameaça à segurança pública". Segundo os dados oficiais, a Alemanha já proibiu a entrada a mais pessoas nos primeiros seis meses deste ano do que em todo o 2015 - 13324 foram impedidos de entrar nas fronteiras até finais de junho, comparado com 8913 no ano passado. O número de deportações também está a aumentar: 13 743 nos primeiros seis meses, contra 20 888 em 2015.

Exigências de ministros federais

À margem das medidas que serão apresentadas hoje, os ministros do Interior dos vários estados federais alemães que pertencem ao partido conservador da chanceler Angela Merkel e aos seus aliados bávaros, estarão também a preparar uma lista de 27 exigências para melhorar a segurança do país. Entre elas conta-se não só o aumento do número de efetivos da polícia (mais 15 mil até 2020), como também o aumento da videovigilância nos transportes e locais públicos.

Segundo uma cópia da proposta à qual a Reuters teve acesso, os ministros pedem também a proibição do uso da burqa e de outros véus que cubram totalmente as mulheres, assim como restrições à forma como as mesquitas são financiadas. Outra medida passa por retirar a cidadania alemã a quem tem a dupla nacionalidade e esteja envolvido com organizações terroristas. E Maizière vai reunir-se com os ministros federais no dia 18 de agosto para debater este tema.

Entretanto, as autoridades alemãs têm feito várias operações antiterrorista no país. Ontem, a polícia efetuou buscas em apartamentos e empresas de pelo menos três pessoas suspeitas de recrutarem operacionais para o Estado Islâmico. As buscas decorreram nas cidades de Dortmund, Duisburgo e Hildesheim. As autoridades suspeitam que o grupo extremista esteja a preparar na Alemanha ataques ao estilo dos que têm ocorrido em França.

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