Grupo de justiceiros espalha terror nas ruas de Sinaloa

Agressões e humilhações públicas são partilhadas nas redes sociais. Especialistas mexicanos acreditam tratar-se de grupo ligado ao narcotráfico

Um grupo de homens anda a fazer justiça pelas próprias mãos nas cidades do estado de Sinaloa, no México. Fortemente armados, com coletes à prova de bala, filmam as torturas e humilhações a que submetem alegados criminosos.

Num dos vídeos, divulgados nas redes sociais, espancam um homem por supostamente bater na mulher e obrigam-no a pedir desculpas. Noutro, dois homens são deixados seminus, com os olhos vendados com fita adesiva, no meio da cidade de Culiacán, capital de Sinaloa. Um deles tinha escrito no peito: "Prometo não voltar a roubar carros."

Para Ricardo Jenny del Rincón, membro do Conselho Estadual de Segurança Pública, estes grupos estão a preencher um vazio de poder. Segundo disse ao jornal espanhol El País, em Sinaloa há um défice de 54% em pessoal nas polícias e os delitos comuns aumentaram. "Não podemos combater um crime com outro e além disso não sabemos se as vítimas na realidade cometeram os crimes que lhes andam a tatuar no peito ou nas costas", sublinha.

No dia 18 de dezembro, quatro membros de um destes grupos foram detidos por militares e polícias na cidade de Culiacancito, próximo da capital do estado, depois de uma perseguição. No carro, as autoridades encontraram um arsenal. Os detidos foram acusados de porte ilegal de armas e posse de droga.

Tudo indica que estes justiceiros pertencem ao crime organizado, por aparecerem com coletes à prova de bala e armas de grande calibre, explica Jenny del Rincón. "Pelo nível da tortura que temos visto, acreditamos que podem ser confrontos entre grupos criminosos."

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.