Governo de Taiwan acusa China de quer fazer da ilha "próximo Hong Kong"

O Governo de Taiwan acusou esta terça-feira a China de querer fazer da ilha "o próximo Hong Kong", durante uma reunião com um responsável norte-americano.

"A nossa vida diária é cada vez mais difícil devido à contínua pressão da China sobre Taiwan para que aceitemos condições políticas que farão de Taiwan o próximo Hong Kong", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da ilha, Joseph Wu, ao secretário da Saúde norte-americano, Alex Azar, cuja visita foi já condenada por Pequim.

Em Hong Kong, a repressão da dissidência intensificou-se com a entrada em vigor, no final de junho, da lei de segurança nacional, imposta por Pequim.

Vários militantes pró-democracia foram detidos e os candidatos da oposição às eleições legislativas foram desqualificados.

Este controlo da China sobre a região administrativa especial chinesa está a preocupar Taiwan, uma ilha de 23 milhões de habitantes, considerada por Pequim uma província rebelde.

Numa visita histórica de três dias a Taiwan, Azar é o mais alto membro da administração norte-americana a deslocar-se à ilha desde 1979, ano em que os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Taipé para reconhecer o Governo comunista baseado em Pequim como o único representante da China.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Menos de duas dezenas de países mantêm relações diplomáticas com Taiwan.

A deslocação acontece num contexto de crescentes tensões sino-norte-americanas sobre várias questões, incluindo Hong Kong, comércio e covid-19, entre outras.

Na segunda-feira, o Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que caças chineses tinham efetuado uma breve incursão além da linha de demarcação no estreito da Formosa, há muito considerado por Taipé e Pequim como a "fronteira" entre ambos.

Durante a visita, Azar elogiou a democracia em Taiwan e a polícia de saúde na luta contra a covid-19. Em contrapartida, o responsável norte-americano criticou a atitude da China perante a pandemia, surgida em dezembro no centro do país, e o modelo de Governo autoritário.

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