Governo decreta dois dias de luto nacional

Decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro de Cabo Verde

O Governo de Cabo Verde decretou dois dias de luto nacional pelas 11 vítimas do posto militar na ilha de Santiago, disse hoje o primeiro-ministro, adiantando que prosseguem as operações para capturar o militar suspeito do ataque.

"Estamos a fazer tudo para que o soldado que se presume esteja diretamente envolvido no assassinato e no massacre de 11 cidadãos possa ser capturado o mais rapidamente possível. Estamos a envidar todos os esforços no sentido de fazer com que essa captura aconteça e depois que a pessoa seja entregue à justiça", disse hoje Ulisses Correia e Silva.

O primeiro-ministro adiantou que foram decretados dois dias de luto nacional e que, na sequência dos acontecimentos conhecidos na terça-feira, cancelou a deslocação que tinha previsto à ilha do Fogo.

O governo apresentou também endereçou condolências às famílias das vítimas cabo-verdianas e espanholas.

Ulisses Correia e Silva falava aos jornalistas à margem de uma visita a um Boeing C 17 das Forças Armadas dos Estados Unidos, que está estacionado no Aeroporto Nelson Mandela, na cidade da Praia, no âmbito do exercício de treino militar EPIC Guardian 16, o Comando Africano dos Estados Unidos (AFRICOM) que decorre desde 26 de abril e até à primeira semana de Maio.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, que tomou posse a 22 de abril, disse ainda que tudo será feito no sentido de "garantir que as Forças Armadas sejam aquilo que se espera da sua grande missão de defesa nacional e possam ter todas as condições de um bom funcionamento".

As declarações de Ulisses Correia e Silva surgem depois de, na sequência dos acontecimentos de Monte Txota, se ter gerado na opinião pública um debate sobre a preparação e os critérios de admissão nas forças armadas cabo-verdianas.

"Acho que o que aconteceu não deve manchar a imagem externa nem interna de Cabo Verde. Sempre nos pautamos por um país de muita tolerância, que procura garantir as condições de segurança e vamos continua", disse.

O primeiro-ministro garantiu ainda que tudo fará para que os militares "se sintam prestigiados na sua missão".

"As Forças Armadas são uma instituição importante e devemos todos acalentar neste momento um espírito de otimismo e de confiança. Proteger as Forças Armadas para poderem desempenhar o seu bom papel", sublinhou.

Onze pessoas, oito militares e três civis, foram encontradas terça-feira mortas no destacamento militar do Centro Retransmissor de Monte Txota, em Rui Vaz, concelho de São Domingos, na ilha cabo-verdiana de Santiago.

Um dos soldados do destacamento, que se encontra desaparecido e está a ser procurado pelas autoridades, é o suspeito da autoria das mortes, que terão tido "motivações pessoais".

Fonte do ministério da Defesa de Cabo Verde confirmou hoje à agência Lusa a identidade do soldado em causa que tinha sido avançada pela imprensa cabo-verdiana como tratando-se de Manuel António Silva Ribeiro, de 20 anos.

A mesma fonte desmentiu a informação veiculada pela agência noticiosa espanhola EFE, que citava fontes diplomáticas, de que haveria um terceiro cidadão espanhol no local, que teria escapado ileso.

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