"Gigantes digitais" devem pagar mais impostos, diz Macron

Na Cimeira digital europeia, na Estónia, vários dirigentes pronunciaram-se a favor da criação de um imposto, mas também neste tema a União Europeia não fala a uma voz

O presidente francês Emmanuel Macron defendeu a ideia de que as grandes companhias digitais como a Apple, Google, Facebook ou Amazon devem contribuir de forma decisiva na transição para a economia digital, ao dizer que é "absurdo" financiar essa mudança à custa de quem sofre com ela. "Apoio a iniciativa de vários ministros das Finanças em criar um imposto sobre o valor criado nos nossos países", disse em Talin, a capital da Estónia, que acolhe a Cimeira Digital.
O primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni reforçou a ideia ao afirmar que os países que apoiam este imposto devem avançar já, de forma unilateral.

Os governos de países que têm interesses em manter as empresas com o atual statu quo, como a Irlanda e o Luxemburgo, estão contra. À Reuters, um dirigente do governo espanhol disse que uma solução para toda a UE é a melhor opção e que a Irlanda deve ser encorajada a entrar. "Nós vamos chegar lá. Há uma campanha muito forte. Teremos de encontrar uma maneira de tributar. Não tributar mais, mas tributar as empresas digitais"

A Comissão Europeia estima que a carga fiscal efetiva para as empresas digitais é de 10%, em comparação com os 23% das empresas tradicionais.

"As pessoas lamentam que não existe um Google europeu, que não existe um Facebook europeu, que não existe um LinkedIn europeu, mas a minha opinião é que se querem este tipo de empresas a germinar na Europa não é através de impostos pesados e de alta regulamentação", disse o líder irlandês Leo Varadkar ao chegar à cimeira.

Só com consenso é que pode ser aplicada uma reforma tributária na UE.

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