G7 ainda não começou e o vinho já está entornado

Donald Trump ameaçou taxar vinhos franceses em retaliação aos impostos sobre as tecnológicas norte-americanas. Presidente do Conselho Europeu sai em defesa do vinho gaulês.

Em conferência de imprensa antes da abertura do G7, cimeira que reúne os países mais industrializados e outros convidados em Biarritz, sudoeste de França, o presidente do Conselho Europeu Donald Tusk defendeu o vinho francês, ameaçado horas antes pelo presidente dos Estados Unidos. "Vou proteger o vinho francês com sincera determinação (....) Se os Estados Unidos impuserem taxas, então a União Europeia responderá da mesma forma", afirmou o dirigente polaco.

"As guerras comerciais levarão à recessão, enquanto os acordos comerciais impulsionam a economia", disse ainda sobre as ameaças de Donald Trump.

Para Donald Tusk, a cimeira que se prolonga até ​​​​​​​segunda-feira vai ser um "teste difícil de unidade e solidariedade". "Ainda não há certeza se o grupo será capaz de encontrar soluções comuns - e os desafios globais são hoje realmente sérios - ou se deve concentrar-se em conflitos sem sentido entre si", disse.

A França foi alvo de críticas por parte de Trump devido à taxação prevista pelo governo francês às grandes empresas tecnológicas como a Google, que operam em países europeus sem pagar impostos. "Essas são grandes empresas americanas e, francamente, não quero que a França vá tributar as nossas empresas. Muito injusto", disse aos jornalistas. "E se o fizerem, vamos aplicar-lhes impostos sobre o vinho ou outra coisa qualquer. Vamos tributar o vinho deles como eles nunca viram antes".

Ainda assim, o presidente dos EUA estava otimista quanto à cimeira em Biarritz. "Eu acho que será muito produtiva."

Donald Trump e Emmanuel Macron almoçam juntos, horas antes da abertura da cimeira, marcada para as 18.30, e seguida de um jantar informal entre os chefes de Estado e de governo do G7 e de países convidados. A informação é da presidência francesa, que não avança se será servido vinho à mesa.

Horas antes, o presidente dos Estados Unidos anunciou novas tarifas aos produtos chineses, o que foi recebido com grandes quedas em Wall Street.

Trump implodiu a cimeira do G7 do ano passado, no Quebeque, depois de se envolver numa discussão com o primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau e recusando-se a assinar a tradicional declaração conjunta do grupo. E em questões como tarifas comerciais, Rússia, aquecimento global, Irão, ou Brexit, Trump está em oposição a vários dos seus aliados mais próximos.

Reunião em Biarritz, manifestação em Hendaia

Milhares de ativistas antiglobalização e ambientalistas juntaram-se aos coletes amarelos e aos separatistas bascos para exigir ação dos líderes mundiais reunidos na estância de Biarritz. Os manifestantes reuniram-se a mais de 30 quilómetros, na cidade fronteiriça de Hendaia. Dali seguiram para Irun, já no País Basco espanhol. Pelo caminho ficaram 17 manifestantes, detidos por terem os rostos encobertos. De resto não havia indicações da presença de grupos radicais e a presença da polícia era discreta.

Mais de 13 mil agentes policiais, apoiados por soldados, protegem a cimeira de Biarritz, impedindo qualquer tentativa de protestos junto dos líderes mundiais. As forças de segurança temiam a presença de grupos extremistas. Quatro polícias ficaram com ferimentos ligeiros em Hendaia na sequência de manifestantes terem atirado um morteiro caseiro.

"Os principais líderes capitalistas estão aqui e temos de mostrar-lhes que a luta continua", disse Alain Missana, 48 anos, eletricista e colete amarelo. "É mais dinheiro para os ricos e nada para os pobres. Vemos as florestas da Amazónia a arder e o degelo do Ártico. Os líderes vão ouvir-nos", disse à Reuters.

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