Forças de segurança desencadeiam assalto à prisão de Hama

Objetivo era terminar motim iniciado na segunda-feira

As forças sírias ordenaram no final da tarde de hoje o assalto à prisão de Hama, centro do país, para terminar com um motim iniciado na segunda-feira, indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

"Dispararam granadas de gás lacrimogéneo para o interior da prisão, após terem detidos pessoas próximas dos detidos que se reuniram à volta do edifício, inquietos pelos destino dos prisioneiros", precisou a OSDH.

Um vídeo do interior da prisão, partilhado por militantes nas redes sociais, mostra um longo corredor sombrio, chamas e fumo, enquanto um detido se refere a "casos de sufocamento aguda", diz que se encontra na prisão de Hama e que as imagens foram registadas hoje.

Escutam-se ainda disparos, prisioneiros que gritam "Alá é grande", e outros que tossem.

"Estão a ocorrer desmaios e casos de sufocamento", segundo a OSDH.

O motim foi desencadeado na segunda-feira com os detidos a fazerem reféns uma dezena de guardas para impedir a transferência de prisioneiros para a prisão de Saydnaya, perto de Damasco, onde foram denunciadas numerosas mortes de detidos.

Segundo aquela organização não-governamental, as autoridades libertaram 46 prisioneiros desde o início do motim.

Os Comités Locais de Coordenação (LCC), uma importante rede de militantes sírios, tinham indicado ao início da tarde que as forças de segurança cercavam a prisão há vários dias e que 800 detidos protestavam contra as condições de detenção e as penas de morte aplicadas a dezenas de prisioneiros.

A ONU também manifestou a sua preocupação perante a situação na prisão de Hama.

Segundo a OSDH, que se apoia numa vasta rede de informadores através do país, mais de 200.000 pessoas foram detidas nas prisões do regime desde o início do conflito em 2011.

Várias dezenas de milhares de presos políticos terão sido mortos sob tortura, com 14.000 casos a serem divulgados pela OSDH.

O conflito na Síria, desencadeado na primeira de 2011 com manifestações pacíficas que depois degeneraram numa guerra civil com intervenção internacional, já provocou mais de 270.000 mortos.

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