Mortes de civis na luta contra as drogas são "factos alternativos"

Senador filipino disse ao Conselho do Direitos Humanos da ONU que mentiras fazem parte de uma estratégia política contra o presidente

Um senador filipino, aliado do presidente Rodrigo Duterte, disse esta segunda-feira ao Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas que não existe uma nova onda de homicídios no país provocada pela campanha do governo contra as drogas. Alan Peter Cayetano afirmou que os relatórios que falam destas mortes mostram "factos alternativos".

"Permitam-me aproveitar esta oportunidade para apresentar os factos verdadeiros e os números reais, ao contrário dos factos alternativos que, infelizmente, têm sido divulgado pelos críticos do governo de Duterte", disse o senador, em Genebra, num encontro das Nações Unidas sobre os direitos humanos nas Filipinas.

A expressão "factos alternativos" tornou-se famosa após ter sido usada pela conselheira do presidente dos Estados Unidos Kellyanne Conway.

Cayetano afirmou que a Comissão dos Direitos Humanos das Filipinas e críticos do presidente querem fazer parecer que todos os homicídios são assassinatos extra-judiciais, ou seja, cometidos pelas forças de autoridade, para enganar o público.

"Não se iludam. Qualquer morte ou homicídio é uma morte a mais, mas há uma tentativa deliberada de categorizar todas as mortes como homicídios extra-judiciais ou mortes relacionadas com a campanha contra a criminalidade e contra as drogas ilegais", afirmou o senador.

"Não há uma nova onda de homicídios nas Filipinas, apenas uma estratégia política para mudar definições" e fazer parecer que estas morte são "apoiadas pelo estado", continuou Cayetano, que esclareceu que durante os últimos governos ocorreram no país entre 11 mil e 16 mil homicídios por ano.

A administração de Duterte tem sido duramente criticada pela comunidade internacional e acusada de promover o assassinato de criminosos, traficantes de droga e toxicodependentes. Durante a campanha presidencial, Duterte prometeu acabar com a criminalidade do país e admitiu permitir que os polícias matassem criminosos.

Cayetano disse que os polícias que mataram criminosos fizeram-no em autodefesa e que os outros homicídios foram realizados por civis e gangues. O senador disse que a polícia prendeu 64917 pessoas ligadas ao tráfico de droga. "Prendeu, vossas excelências, não matou", realçou.

O embaixador da China parabenizou a administração de Duterte pelas "notáveis conquistas" na defesa dos direitos humanos e disse apoiar a campanha do presidente.

Estima-se que tenham morrido cerca de nove mil pessoas desde que Duterte tomou posse, no ano passado.

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