Filhos do jornalista Khashoggi apelam à entrega do corpo do pai

Em entrevista à CNN, classificam o pai, assassinado há um mês no consulado da Arábia Saudita na Turquia, de um homem "corajoso e generoso".

Os filhos do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado há um mês no consulado da Arábia Saudita na Turquia, apelaram à devolução do corpo do pai. Na primeira entrevista que deram depois da morte, ainda misteriosa do pai, os dois homens elogiaram o jornalista dizendo que este era "corajoso e generoso".

Salah e Abdullah Khashoggi admitiram procurar respostas para o que aconteceu ao pai, jornalista do Washington Post e crítico do regime saudita, depois de ter entrado no consulado em Istambul, há um mês e nunca mais ter sido visto. "É um mistério e tem sido um enorme fardo para todos nós. Todos estão à procura de informação e pensam que nós temos acesso, infelizmente não temos", refere Salah, de 35 anos.

"Os detalhes são muito vagos. Não sabemos o que aconteceu lá dentro. Todos contam uma história diferente. Para mim tento contar esta história simples: ele morreu, e foi simplesmente isso", respondeu Abdullah, de 33 anos, quando confrontado com a teoria do governo turco de que Khashoggi foi torturado, morto e depois o seu corpo dissolvido em ácido para que fosse mais facilmente dissimulada a sua morte.

Os dois pedem que o corpo do pai seja entregue para que possam fazer o luto. "Tudo o que queremos é o direito a sepultá-lo em Al-Baqi [um cemitério] em Medina [na Arábia Saudita], onde está o resto da nossa família. Falei sobre isso às autoridades sauditas e espero que isso possa acontecer em breve", referiu Salah Khashoggi.

Jamal Khashoggi foi classificado de perigoso islamita num telefonema entre o príncipe saudita e o genro de Donald Trump, Jared Kushner. Um rótulo que os filhos recusam: "São apenas rótulos e pessoas que não analisaram bem a questão e não leram a fundo os seus artigos. É mais fácil colar um rótulo."

Para Salah, o pai deve ser recordado como um homem "moderado que tem valores comuns com os de toda a gente... um homem que amava o seu país, que acreditada muito nele e no seu potencial".

Numa primeira fase as autoridades sauditas recusaram ter algo a ver com o desaparecimento do jornalista, mas acabaram por admitir que este teria morrido durante um interrogatório que correu mal. O príncipe saudita continua a recusar qualquer envolvimento com a morte de Khashoggi, mas as autoridades turcas não estão convencidas disso.

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