Fernando Haddad acusado de corrupção no Brasil

É a primeira vez que o candidato presidencial do PT responde como réu na justiça criminal brasileira. Haddad nega as acusações.

O ex-prefeito de São Paulo e candidato derrotado por Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras, Fernando Haddad, foi nesta segunda-feira acusado formalmente pela justiça brasileira. O juiz Leonardo Barreiros, da 5.ª vara criminal da Barra Funda, em São Paulo, aceitou a acusação do Ministério Público, depois de uma denúncia - ao abrigo da delação premiada, que oferece a outros acusados a possibilidade de incriminarem outros suspeitos, com benefício para o seu processo.

O denunciante é Ricardo Pessoa, empreiteiro da UTC, que garante ter pago a Haddad 2,6 milhões de reais em subornos (em 2012). A acusação foi conhecida desde setembro, em plena campanha eleitoral. A informação foi avançada nesta segunda-feira pela Folha de S Paulo.

O jornal Globo avança também que "a denúncia do Ministério Público partiu de delações feitas na Operação Lava-Jato. Além de Haddad, outras cinco pessoas viraram réus na ação, incluindo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o doleiro Alberto Youssef. O MP também havia feito denúncia do crime de formação de quadrilha, mas este trecho da acusação não foi aceito pela Justiça."

Fernando ​​​​​​​Haddad garante que essas acusações não se baseiam em provas e que apenas se explicam pelos "interesses contrariados" dos seus delatores.

Segundo o Ministério Público do estado de São Paulo, o político, filiado no Partido dos Trabalhadores (PT), teria pedido, entre abril e maio de 2013, através do então tesoureiro do seu partido, João Vaccari Neto, a quantia de três milhões de reais (cerca de 697 mil euros) à empresa de construção 'UTC Engenharia' para, supostamente, liquidar dívidas de campanha com a gráfica de Francisco Carlos de Souza, um ex-deputado estadual do PT.

A Procuradoria sustenta que, entre maio e junho daquele ano, a construtora transferiu o valor de 2,6 milhões de reais (cerca de 604 mil euros) para Haddad.

A denúncia foi apresentada pelo promotor de justiça Marcelo Mendroni, que integra o grupo do Ministério Público de combate a crimes económicos.

O então tesoureiro do PT "representava e falava em nome de Fernando Haddad", pode ler-se na acusação.

O promotor adiantou que Fernando Haddad recebeu pessoalmente o empreiteiro da UTC, no dia 28 de fevereiro de 2013, aquando do exercício do cargo de prefeito de São Paulo.

Na decisão do juiz Leonardo Valente Barreiros pode ler-se que "a narrativa acusatória aponta ainda que a captação e distribuição de recursos ilícitos se desenvolveram através de um esquema montado pela própria UTC Engenharia", principalmente "por contratos de prestação de serviços fictícios e/ou sobrefaturados".

"Assim foram realizados os pagamentos daquela dívida, contraídas especialmente durante o ano de 2012 pela campanha de Fernando Haddad para o cargo de prefeito de São Paulo", salientou o juiz.

Segundo a defesa do ex-candidato presidencial, "a denúncia não aponta minimamente qual era o objetivo do pagamento".

"Há a necessidade de se apontar um ato de ofício para caracterização do crime de corrupção passiva, sendo imprescindível a descrição mínima do que se espera em contrapartida da vantagem indevida", sustenta a defesa de Haddad, num documento datado de 10 de setembro.

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