Familiares de soldados mortos no Iraque querem processar Blair

Tribunal Penal Internacional recusa julgar antigo primeiro-ministro britânico por crimes de guerra

Os familiares dos 179 militares britânicos mortos na guerra do Iraque exigem o julgamento de Tony Blair, antigo primeiro-ministro britânico, e de todos aqueles responsáveis pela invasão do Iraque - considerada pelo Relatório Chilcot precipitada e mal preparada.

Roger Bacon e Reg Keys, pais dos soldados Matthew Bacon e Tom Keys (mortos no confronto militar em causa) lançaram, por isso, uma campanha de crowfunding para arrecadar fundos para que uma equipa de advogados analise esse documento e avalie a possibilidade de processar o ex-primeiro-ministro.

"As nossas forças armadas não devem ser novamente sacrificadas tão insensivelmente pela ambição política, irresponsabilidade e falhas do Governo", escrevem os familiares, nesse site.

De acordo com a campanha, as ações dos funcionários do Estado só podem ser julgadas por um tribunal devidamente constituído e reconhecido internacionalmente.

Os familiares referem, contudo, que nem o Tribunal Penal Internacional avaliará o caso (alegando que a invasão do Iraque não foi uma decisão de apenas Tony Blair), nem o Estado britânico sujeitará aqueles apontados como culpados a um procedimento criminal. Os pais dos soldados pretendem, por isso, mover um processo civil contra Blair e todos aqueles que, segundo a sua opinião, abusaram do poder de que dispunham na altura.

De acordo com o The Guardian, no rescaldo da publicação da análise à operação militar em causa, Tony Blair defendeu as suas decisões, argumentando que agiu de boa-fé e de acordo com a informação de que dispunha.

O relatório Chilcot avalia negativamente a participação do Reino Unido na invasão do Iraque em 2003, que considera precipitada já que, nessa ocasião, "não estavam esgotadas todas as opções pacíficas."

Encomendado em 2009 pelo então primeiro-ministro Gordon Brown, o documento conclui que a operação liderada pelos Estados Unidos da América (na presidência de George W. Bush) partiu de "informações e estimativas deficientes" (por exemplo, as armas de destruição massiva que motivaram a ofensiva nunca foram encontradas).

Saddam Hussein não era, além de tudo, acrescenta o relatório, uma "ameaça iminente", sendo a "estratégia de contenção" até aí praticada ainda uma ferramenta viável e adequada, na altura da invasão.

Os 179 mil euros (150 mil libras) que os familiares pretendem agora angariar financiarão a leitura e análise dos mais de dois milhões de palavras e 12 volumes deste documento para que se consiga formar um caso sólido contra Blair. Até ao momento, já foram arrecadados mais de 50 mil euros (47 921 libras)

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