Família proibida de usar homeopatia no filho em coma

Pais de jovem de 23 anos queriam que a Justiça obrigasse a equipa médica a injetar no filho vitamina C e três preparados homeopáticos, mas juíza rejeitou. Família acusa anestesista de negligência durante operação a uma apendicite.

Uma família espanhola foi proibida por um tribunal de Madrid de usar uma terapia de homeopatia no filho de 23 anos que está em coma induzido desde quarta-feira, depois de uma paragem cardíaca durante uma operação a uma apendicite num hospital da capital de Espanha. Além de acusarem de negligência a anestesista, os pais do jovem queriam que a Justiça obrigasse a equipa médica a injetar no seu filho vitamina C e três preparados homeopáticos, mas a responsável pelo Juízo de Instrução nº 35 de Madrid decidiu em sentido contrário.

Segundo a magistrada María del Sagrario Herrero, encarregue de julgar o caso, o tratamento pedido pela família do jovem Francisco José C. R "tem um caráter paliativo que de forma alguma poderá melhorar a situação do paciente ou reverterá o coma em que se encontra". A decisão da juíza, a que o El País teve acesso, foi tomada depois de ouvidos os médicos do hospital da Fundação Jiménez Díaz, onde Francisco José foi operado, e o especialista forense do tribunal. Os pais do jovem ainda estão a ponderar recorrer da sentença mas, ainda segundo o El País, já decidiram que querem transferir o filho para um hospital da sua cidade natal, Albacete.

No pedido que apresentou ao tribunal, o pai de Francisco José acusa a anestesista de negligência "ao não colocar corretamente o tubo de respiração no filho" durante uma cirurgia a uma apendicite. O jovem sofreu um edema pulmonar quando o tubo foi retirado e esteve em paragem respiratória durante 15 minutos, ao fim dos quais foi reanimado pela equipa médica e voltou aos cuidados intensivos. Mas depois de exames posteriores, que não registaram reações a estímulos, o jovem foi colocado em coma induzido. Segundo o seu pai, "os médicos disseram que nada podiam fazer pela sua vida e deram-lhe poucas horas de vida". O que levou a família a avançar com o pedido para que fosse administrada uma terapia homeopática "que já teve grandes resultados em França".

Uma terapia à base de aplicação intravenosa de vitamina C e de compostos com Centrum (um suplemento vitamínico), Apis Homaccord (também acessível em Portugal e usado "em edemas, eczema pustuloso, irritabilidade cerebral") e Lymphomyosot (segundo sites de homeopatia, "utilizado em linfatismo - tendência de hipertrofia dos órgãos linfáticos, tendência à formação de edemas e predisposição ao aparecimento de doenças infecciosas").

Mas se a juíza dá razão aos médicos, que se recusaram a avançar com este pedido da família, deixa a porta entreaberta a um possível processo por negligência, se a família considerar que houve "procedimentos imprudentes durante a operação realizada à apendicite".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG