"Fake burgers" causam polémica na Nova Zelândia

Hambúrguer de carne sintética está a ser distribuído em voos da Air New Zealand. A polémica instalou-se porque a Nova Zelândia é um grande exportador de carne de bovino

Um hambúrguer vegetariano, que "sangra" sangue falso da sua carne sintética, está a gerar acusações de representar uma "ameaça existencial" para a indústria de carne da Nova Zelândia, com uma grande discussão a crescer no país da Oceania sobre a comercialização de carne sintética.

Chama-se Impossible Burger e está ser servido na companhia aérea nacional Air New Zealand. Criado por uma empresa californiana de São Francisco, é feito a partir de um substituto de carne à base de vegetais que pretende ser como a carne real, do sabor à textura. Conta a correspondente do diário The Guardian na Nova Zelândia que o hambúrguer já provocou a ira do primeiro-ministro interino Winston Peters. O governante que disse ser "totalmente contra a carne falsa" e criticou a companhia aérea que, na sua opinião, deveria estar a usar produtos animais verdadeiros.

O hambúrguer é feito com carne sintética, fornecida por uma empresa norte-americana, e está a ser oferecido pela transportadora nacional neo-zelandesa a passageiros de classe executiva nos voos entre Los Angeles a Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia.

Um representante do partido nacionalista New Zealand First, Mark Patterson, alerta que o hambúrguer pode representar "uma ameaça existencial ao segundo maior produto exportado na Nova Zelândia", a carne bovina, e é como um "murro" para o setor de carne vermelha neo-zelandês, que apresenta um volume de negócios de 8 mil milhões de euros anuais. "Ter a Air New Zealand ativamente a promover proteínas sintéticas, que têm uma componente de modificação genética, não é um bom exemplo da Nova Zelândia", afirmou.

É inovador, diz a Air New Zealand

Em comunicado, a Air New Zealand disse que a empresa gasta milhões, todos os anos, na aquisição de carne bovina e ovina da Nova Zelândia, considerando que este hambúrguer vegetariano não representa uma ameaça à indústria nacional de carne vermelha. "Só no ano passado servimos, com orgulho, cerca de 1,3 milhões de quilos de carne da Nova Zelândia para clientes de todo o mundo", refere.

"A Air New Zealand não se desculpa por oferecer opções inovadoras de produtos para seus clientes e continuará a fazê-lo no futuro", conclui a transportadora aérea.

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