Extrema-direita foi vencida por seis mil votos nas legislativas da Finlândia

O SDP venceu as eleições para o parlamento finlandês impondo-se ao partido de extrema-direita Verdadeiros Finlandeses por 0,2% dos votos. O partido liderado por Antti Rinne obteve 17,7% dos votos e 40 lugares no parlamento, enquanto o Verdadeiros Finlandeses teve 17,5% e 39 lugares.

Com este resultado, o antigo líder sindical Antti Rinne vai liderar as negociações para a formação do próximo executivo de coligação neste país, que em 2019, pelo segundo ano consecutivo, foi considerado o mais feliz do mundo. Um acordo que poderá ser complicado de conseguir. A opção mais natural será um governo com o SDP, Os Verdes e a Aliança das Esquerdas, mas somando todos os deputados que conseguiram - 76 num total de 200 no parlamento - não conseguem uma maioria absoluta.

"Para ser honesto esperava uma vitória mais forte, mas mesmo assim conseguimos o nosso primeiro triunfo eleitoral desde 1999", sublinhou Antti Rinne no discurso após serem conhecidos os resultados. Agora, vai tentar colocar em prática o seu lema para estas eleições: "Parece que vamos todos na mesma direção".

No programa eleitoral, o SDP prometeu aumentar o investimento público na educação e nos serviços sociais, bem como lutar contra as alterações climáticas, tentando que em 2035 a Finlândia seja um país neutro nas emissões de carbono. Pretende ainda efetuar uma reforma fiscal que reduza o IVA nos bens e serviços sustentáveis.

Em 2015, o SDP tinha ficado em quarto lugar nas eleições, mas agora recuperou 1,2% dos votos, o que foi suficiente para ter mais seis deputados e assim vencer o sufrágio.

O Verdadeiros Finlandeses conseguiu recuperar o apoio popular perdido depois de ter feito parte de uma coligação governamental que aplicou cortes nas prestações sociais e enfrentou a pior crise migratória do país. A chave para esta subida do partido ultra-nacionalista estará na chegada à sua liderança, em 2017, do eurodeputado Jussi Halla-aho, que representa uma ala mais radical da formação política.

Quanto ao partido que até agora esteve no governo, o conservador Kokoomus, obteve 17% dos votos - 1,2 pontos abaixo das últimas eleições - e 38 deputados, mais um do que em 2015, possível devido à fragmentação dos votos. "O nosso partido é o grande derrotado, o povo falou e acabou-se", reconheceu Juha Sipilä. O antigo primeiro-ministro e o seu partido foram penalizados devido às políticas de austeridade que colocaram em prática para sanear as finanças públicas.

Já o partido que mais subiu, depois do SDP, foi os Verdes. Uma maior preocupação dos finlandeses com as consequências das alterações climáticas e o regresso à presidência do partido de Pekka Haavisto podem explicar os 11,5% de votos e os 20 lugares no parlamento.

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