Ex-primeira-dama quer voltar a Los Pinos. Agora como presidente

A mulher de Felipe Calderón deixou o Parlamento para estar com o marido na campanha para as presidenciais de 2006

Quando em 2006 entrou com o marido em Los Pinos, residência oficial do presidente do México, Margarita Zavala pôs de lado a carreira política para o apoiar. Nas entrevistas, quando os jornalistas insistiam num comentário mais político, a antiga deputada limitava -se a dizer: "Isso teria de responder o presidente." Mas Felipe Calderón deixou o poder em novembro de 2012 e Margarita pôde largar o epíteto de primeira-dama que sempre a incomodou. Em junho, anunciou que pretende candidatar-se à Presidência em 2018 e neste mês, quando faz capa da edição mexicana da Vanity Fair, já está à frente nas sondagens.

Para Zavala, que lutou pela introdução de quotas femininas nas listas partidárias, todas as mulheres são iguais, independentemente dos cargos, funções ou estatuto, daí não gostar de ser conhecida como primeira-dama. E logo após deixar de o ser já pensava em como poderia regressar à vida política. No vídeo em que anunciava a intenção de se candidatar à Presidência e poder suceder a Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), fazia um balanço do que terá pela frente: "O México não está a crescer economicamente como precisa, não temos um Estado de direito sólido e houve uma deterioração generalizada da vida pública. A persistência e agudização destes problemas abre uma enorme distância entre os políticos e os cidadãos, que se traduz no descrédito dos partidos e da própria política."

Jovem militante

Margarita Esther Zavala Gómez del Campo nasceu a 25 de julho de 1967, na Cidade do México. A quinta de sete filhos do juiz do Supremo Tribunal de Justiça Diego Zavala Pérez, estudou num colégio de freiras - onde mais tarde deu também aulas - antes de seguir os passos do pai e tirar o curso de Direito. Militante do Partido de Ação Nacional (PAN) desde a adolescência, conheceu o marido aos 17 anos, num encontro de jovens panistas. Felipe Calderón era cinco anos mais velho. Casaram em janeiro de 1993, depois de seis anos de namoro. Têm três filhos: María, Luis Felipe e Juan Pablo.

A carreira partidária de Zavala, que é conselheira nacional do PAN desde 1993, seguiu lado a lado com a de advogada. Até que o partido falou mais alto. Em 1994, foi eleita deputada na Assembleia do Distrito Federal e quase dez anos depois entrou no Parlamento. Quando Calderón se tornou candidato do PAN à Presidência, pediu uma licença para o poder acompanhar na campanha, pondo a sua própria carreira política de lado. "Nunca sacrifiquei nem pus de lado os meus verdadeiros objetivos. Em termos patrióticos e cívicos não há honra mais elevada do que ver um dos membros da tua família converter--se em presidente. Não suspendi a minha carreira, esta é uma maneira distinta de ajudar e fazer política", explicou numa entrevista.

Já em Los Pinos, enquanto o marido dava início à muito criticada guerra contra o narcotráfico, enviando os militares para o terreno numa luta que já fez mais de 80 mil mortos e 25 mil desaparecidos, Zavala mantinha-se popular com o trabalho com as mulheres, as crianças migrantes ou os deficientes - que já tinha marcado o seu percurso enquanto deputada. "Do governo de Calderón houve poucos que no fim ficaram bem na fotografia. A que ficou melhor foi Margarita. Ninguém fala mal dela", disse ao El País uma fonte ligada à Presidência de Calderón. Numa sondagem, a ex-primeira-dama surge à frente de outro potencial candidato a 2018, Andrés Manuel López Obrador, que já tentou a sua sorte com candidaturas em 2006 e 2012.

Depois de o partido a ter deixado fora da corrida a deputada nas eleições intermédias de junho, em que os grandes vencedores foram os independentes, Zavala resolveu lançar-se na corrida à Presidência. Na entrevista à Vanity Fair disse que a decisão foi "algo gradual", explicando que durante a campanha havia pessoas que lhe diziam "avança Margarita". O dia das eleições marcou-a especialmente: "Ficou clara a mensagem dos cidadãos: ou voltam a olhar para nós ou voltamos as costas aos partidos e aos políticos."

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