Ex-presidente da Costa Rica e Nobel da Paz acusado de abuso sexual

Duas mulheres, uma psiquiatra e a diretora de comunicações da Human Rights Watch, vieram a público relatar os abusos de que foram alvo por parte de Óscar Arias. Este nega as acusações.

O ex-presidente da Costa Rica e Nobel da Paz de 1987, Oscar Arias, está a ser acusado de abuso sexual por duas mulheres. Pelo menos uma delas já apresentou queixa.

As denúncias foram publicadas pelo jornal da Costa Rica, Semanario Universidad, e pelos jornais norte-americanos The New York Times e Washington Post.

Uma das mulheres, Alexandra Arce von Herold, é uma psiquiatra e ativista antinuclear que se reuniu várias vezes com o ex-presidente, que apoia esta causa. Segundo o The New York Times, que teve acesso à declaração que prestou quando apresentou queixa contra Arias, esta segunda-feira, relatou que o ataque ocorreu em finais de 2014. Tinha ido à casa do ex-presidente para discutir um evento em Viena quando ele se terá aproximado por detrás dela, tocando-lhe no peito e enfiando as mãos debaixo da saia dela, penetrando-a com os dedos. Ela acabou por fugir e contou a várias pessoas.

A segunda mulher a denunciar Arias é, segundo o The Washington Post, Emma Daly, diretora de comunicações da Human Rights Watch. Contou ao jornal como ele a terá apalpado em 1990, quando ela era jornalista (trabalhou para a Reuters e The Tico Times), e ele ainda era presidente. O ataque, explicou ao jornal, ocorreu no lóbi do Hotel Intercontinental em Managua, quando fez a Arias uma pergunta. Em vez de responder, Daly contou que ele lhe passou a mão entre os seios e lhe disse: "Não estás a usar soutien". Indicou que não apresentou queixa porque esse era um "comportamento comum" na altura, mas contou a várias pessoas.

Arias teve dois mandatos enquanto presidente, entre 1986 e 1990 e depois entre 2006 e 2010, tendo ganho o Nobel da Paz em 1987 pelo seu trabalho em acabar com as guerras civis na América Central.

Em comunicados enviados às redações de ambos os jornais pelo advogado, Arias rejeita as acusações e diz-se inocente. "Nego categoricamente as acusações contra mim. Nunca agi de forma que desrespeitasse a vontade de qualquer mulher"

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