Ex-espião que se escondeu devido a relatório sobre Trump regressa ao trabalho

Christopher Steele falou pela primeira vez desde que foi revelado o documento que relacionava Donald Trump, a Rússia e a campanha eleitoral de Hillary Clinton

Quase dois meses depois da divulgação de um relatório que causou um escândalo internacional e levou, quer Washington, quer Moscovo, a negar o que era afirmado, Christopher Steele, autor do relatório, regressou ao trabalho na sua empresa, a Orbis. Foi em janeiro que se "escondeu", altura em que foi divulgado o documento.

Steele, de 52 anos, trabalhou para o MI6, o serviço de informações britânico que atua no estrangeiro, tendo estado colocado em Moscovo no início dos anos 1990. Depois de sair dos serviços secretos britânicos, montou com um parceiro a empresa Orbis Business Intelligence Ltd. em 2009. A firma fornece conselhos estratégicos, reúne informação e realiza investigação fora de fronteiras, segundo o seu sítio na Internet.

"Agora vou focar-me nos interesses da empresa. Gostava de agradecer a todas as pessoas que me apoiaram e mandaram mensagens nas últimas semanas", disse o ex-MI6 à Press Association, acrescentando que não prestaria qualquer outra declaração ou esclarecimento.

Publicado em janeiro pelo BuzzFeed, o relatório falava sobre ligações bastante fortes entre Trump e a Rússia. Não só o Kremlin havia apoiado nos últimos cinco anos o atual Presidente dos EUA, até para "encorajar divisões na aliança ocidental", como teria em sua posse várias informações substancialmente comprometedoras para chantagear Trump. Entre as várias informações e documentos estariam vídeos de cariz sexual e envolvendo prostitutas, aquando de visitas de Trump a Moscovo.

Além disso, é dito no relatório que a Rússia teria também um dossiê sobre Hillary Clinton, adversária de Trump nas eleições norte-americanas.

Na altura, Trump chamou a Steele um "espião falhado" e disse que tudo eram notícias falsas. Vladimir Putin, por intermédio de Dmitry Peskov, seu porta-voz, afirmou não ter informações comprometedoras sobre o agora Presidente norte-americano.

Depois da tempestade criada, Steele tenta regressar à vida normal. De acordo com o The Guardian, amigos próximos dizem que o ex-MI6 estava com vontade de regressar ao trabalho há já algumas semanas. Steele não estaria a esconder-se mas sim apenas a manter um "low profile" para evitar os paparazzi que acamparam à porta de sua casa.

As mesmas fontes dizem que uma história que apareceu na imprensa, em como Steele teria conhecido Alexander Litvinenko, dissidente russo que foi envenenado, em 2006 com uma substância radioativa, é falsa. O assassinato terá ocorrido a mando de Putin.

Como era o líder do dossiê Rússia no Mi6 na altura, Steele liderou o inquérito sobre Litvinenko, considerando que foi uma conspiração do estado russo, diz o jornal britânico.

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