Ex-advogado avisa: "Quem segue Trump cegamente vai acabar da mesma forma que eu"

O Presidente dos Estados Unidos negou sempre ter tido conhecimento dos e-mails que comprometiam a corrida à presidência da candidata democrata antes de estes serem publicados. Michael Cohen, ex-advogado de Trump, vem agora dizer perante o Congresso que o Presidente está a mentir.

"Charlatão", "racista" e "batoteiro". Michael Cohen, ex-advogado do Presidente dos Estados Unidos, usou estas palavras para descrever Donald Trump, perante o Congresso, em Washington, na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, esta quarta-feira. É a segunda audição de três do ex-advogado e a única a que é possível assistir.

"Só posso avisar as pessoas que seguem Trump, tal como eu segui cegamente, que vão acabar da mesma forma que eu", avisa o advogado que esteve ao serviço do Presidente "porque queria" durante uma década. Agora afirma: "Perdi tudo. Sou o exemplo do que não fazer".

Num discurso sem grandes surpresas, Cohen, 52 anos, acusado de perjúrio e obstrução à justiça e que enfrenta uma pena de prisão de três anos a partir de maio, afirmou que o líder norte-americano sabia que o seu consultor político Roger Stone estaria em contacto com o fundador do portal Wikileaks, Julian Assange, pouco tempo antes da publicação dos e-mails que comprometiam a corrida à presidência da candidata democrata, Hillary Clinton.

"Muita gente me perguntou se Trump sabia da divulgação dos e-mails de Clinton, ainda antes de eles terem sido tornados públicos. A resposta é: sim", revelou o advogado.

Segundo Cohen, em julho de 2016, Stone telefonou ao então candidato republicano a presidente para o informar que dentro de dias seriam divulgados publicamente e-mails que colocariam em causa Hillary Clinton (telefonema que o advogado diz ter presenciado). Estes e-mails, que Trump sempre negou conhecer antes de se terem tornado públicos, mostram que Hillary Clinton usava um servidor privado para tratar de assuntos profissionais que evolviam conteúdos secretos enquanto esta era secretária de Estado dos EUA (2009-2013). Mais de 30 mil mensagens enviadas por uma conta privada da democrata foram divulgadas pelo portal WikiLeaks.

Durante a audição, que deverá durar o dia inteiro, o ex-advogado de Trump apresentou também documentos que caracterizou como "irrefutáveis", onde está incluído um cheque alegadamente assinado por Trump para pagar a Stormy Daniels, uma atriz que diz ter sido amante do Presidente e silenciada a troco de dinheiro.

Cohen disse ainda que Trump tinha planos para construir a Torre Trump em Moscovo (Rússia), enquanto dizia que não tinha nenhum negócio a decorrer naquele país. Desmentindo assim as declarações que ele próprio fez em 2017 no comité de inteligência do Senado durante o processo de investigação sobre a interferência russa nas eleições norte americanas do ano anterior. Mentiu para "ser consistente" com a "mensagem política" do Presidente, justificou-se.

Já o Presidente dos Estados Unidos escreveu esta quarta-feira na rede social Twitter que o seu ex-advogado "está a mentir para reduzir o seu tempo na prisão", acrescentando que Cohen "acaba de ser expulso da ordem pelo Supremo Tribunal estadual por mentir e por fraude". Donald Trump encontra-se em Hanói, no Vietname, a preparar-se para uma reunião com o líder norte coreano, Kim Jong-un.

Os republicanos presentes na audiência teceram fortes criticas aos democratas por permitirem a presença de um "homem condenado por mentir no Congresso". "Certamente é a primeira vez que um condenado voltou [ao Congresso] para ser uma testemunha numa audiência", disse o republicano Jim Jordan.

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