EUA perdem primeiro militar na luta contra Estado Islâmico

Pentágono justificou operação com o risco de execução iminente de 70 reféns na posse de islamitas.

Soldados americanos e forças curdas atacaram ontem de madrugada um local no Norte do Iraque onde elementos do Estado Islâmico (EI) mantinham 70 reféns, tendo todos sido libertados. No confronto perdeu a vida um militar americae ficaram feridos quatro combatentes curdos. Foram mortos dez islamitas e capturados cinco.

A morte do soldado americano é a primeira no Iraque desde o fim oficial dos combates em 2011 e desde que, há um ano, os Estados Unidos desencadearam a campanha contra o EI. A operação desenrolou-se nos arredores da cidade de Hawija, 48 quilómetros a sul de Kirkuk, envolvendo militares da Força Delta, uma das unidades especiais do exército americano, e elementos das milícias curdas. A operação "foi deliberadamente planeada e executada por estar iminente a execução em massa dos reféns", indicou um porta-voz do Pentágono, explicando que 20 eram elementos das forças de segurança iraquianas. Não havia quaisquer ocidentais entre os reféns

A morte do militar americano vem evidenciar os riscos que têm de enfrentar as tropas americanas no Iraque, apesar da promessa do presidente Barack Obama de que não haveria envolvimento direto nos combates no terreno. Mas, desde o início da ofensiva do EI em junho de 2014, forças americanas já atuaram na frente de batalha (ver caixa) e, pelo menos uma vez, foram quase forçados a combater diretamente os islamitas. O que sucedeu quando o EI tomou Al-Alam, no final de junho do ano passado, e cercou durante alguns dias a base Balad situada nos arredores da cidade. Oficialmente, só unidades iraquianas participaram nos combates.

Um deputado iraquiano curdo afirmou, em Bagdad, que os reféns, além de elementos das forças de segurança, eram elementos das milícias e, eventualmente , alguns seriam civis. Ainda ontem, um elemento do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados afirmou que parte dos habitantes de Hawija têm procurado deixar a cidade, enfrentando o risco de serem detidos e mortos pelos islamitas. As execuções, recordavam ontem fontes curdas, são em geral realizadas em público, com as vítimas a serem primeiro passeadas pelas ruas.

A "operação foi autorizada no quadro da ofensiva contra o EI e do programa de assistência, aconselhamento e treino das forças iraquianas", precisou ainda o porta-voz do Pentágono. O ataque foi desencadeado pelas unidades curdas assistidas por forças americanas, que acabaram por se envolver nos combates. A participação destas foi solicitada pelas autoridades curdas que governam o Norte do Iraque. Após a operação, os militares americanos regressaram a Erbil, a capital do Curdistão iraquiano.

Hawija tem sido alvo das operações aéreas da coligação internacional liderada pelos EUA que procura enfraquecer as posições do EI no Iraque e na vizinha Síria. Segundo fontes iraquianas, a cidade teria sido alvo de ataques aéreos ao longo do dia

A operação de ontem decorreu ao mesmo tempo que forças curdas e iraquianas estão a realizar uma ofensiva naquela região para recuperar o controlo de muitas cidades e outras localidades que caíram em poder dos islamitas há mais de um ano.

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