EUA criticados por divulgarem nome do terrorista de Manchester antes de Inglaterra

Jornais e canais norte-americanos divulgaram o nome do terrorista antes do governo britânico confirmar. Fontes foram responsáveis dos EUA

A administração dos Estados Unidos está a ser criticada por divulgar o nome do autor do atentado de Manchester antes da polícia britânica ter confirmado oficialmente a identidade do suspeito. O governo britânico ficou irritado por causa desta fuga de informação que, segundo afirma, com certeza prejudicou as investigações.

A ministra do Interior britânica, Amber Rudd, disse hoje que foi "irritante" e que já abordou a questão com os seus homólogos norte-americanos.

"Fui muito clara com os nossos amigos, isso não deve voltar a acontecer", disse Rudd à BBC Radio.

Theresa May, a primeira-ministra britânica, tinha afirmado na manhã de terça-feira que as autoridades sabiam o nome do atacante, mas que não iriam, para já, revelar a sua identidade. Segundo o The Guardian, as autoridades tinham colocado a hipótese de não divulgar de todo o nome do suspeito nesse dia para não prejudicar as investigações ao incidente em que morreram 22 pessoas.

Contudo, horas depois, o nome de Salman Abedi foi divulgado por jornais e canais de notícias dos Estados Unidos. Os meios de comunicação citaram três responsáveis das autoridades norte-americanas, mais de duas horas antes de o governo britânico e de a polícia de Manchester aceitarem confirmar a identidade do suspeito.

"A polícia foi clara quanto a querer controlar o fluxo de informação para proteger a integridade das operações -- o elemento surpresa -- pelo que é irritante que a informação surja por outras fontes", disse a ministra do interior britânica.

A atitude das autoridades norte-americanas volta a levantar preocupações diplomáticas sobre a forma como a administração de Trump lida com informações confidenciais, principalmente as fornecidas por países aliados. Há duas semanas, o presidente Donald Trump revelou informações importantes e confidenciais, que terão sido dadas por Israel, a membros do governo russo.

Thomas Sanderson, diretor de um projeto de ameaças internacionais do Centro de Estratégia e Estudos Internacionais, em Washington, disse compreender a irritação dos britânicos. "De repente têm 10 mil jornalistas à porta da casa do bombista quando se calhar a polícia ainda queria investigar a casa discretamente", explicou.

"Temos uma administração indiscreta. O que isso quer dizer em termos de partilha das informações que precisamos para avançar?", perguntou o responsável. "O Reino Unido e Israel são provavelmente as nossas duas melhores fontes de informação e agora estão a pensar: 'Vamos ser prejudicados sempre que partilhamos [informações]'".

Salman Abedi, de 22 anos, foi identificado como o autor do atentado à porta do Manchester Arena que matou 22 pessoas e feriu mais de 60. Este atentado foi o mais mortífero no Reino Unido desde que quatro bombistas suicidas mataram 52 pessoas que viajavam em autocarros e no metropolitano de Londres, em 2005.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG