Estudante trava deportação. "Não é certo mandar pessoas para o inferno"

Elin Ersson protestou de pé num avião no aeroporto de Gotemburgo contra a deportação de um afegão cujo pedido de asilo foi rejeitado pelas autoridades suecas

De pé contra a deportação de um afegão. Uma estudante sueca recusou-se na segunda-feira a sentar-se num avião no aeroporto de Gothenburg até que o refugiado fosse retirado do avião. E conseguiu. Elin Ersson não segurou as lágrimas durante o dramático protesto que transmitiu ao vivo no Facebook. O vídeo tornou-se viral e até esta quarta-feira já teve mais de dois milhões de visualizações.

Na verdade, a estudante e ativista não estava a tentar evitar a deportação do afegão que acabaria por ser retirado do avião por causa do protesto, mas sim um outro homem, também afegão, mas mais jovem.

Quem estava a ser deportado, conta o Guardian, era também um afegão, mas mais velho, com cerca de 50 anos, que acabou a ser retirado do avião pela porta traseira, sem que a jovem sueca o tivesse visto sair. Mas foi informada que conseguira o seu intento.

No interior do avião, com destino ao Afeganistão, Ersson, que se identifica na rede social como sendo estudante na universidade de Gotemburgo, filmava-se enquanto explicava os motivos do seu protesto. Ao longo de tensos 14 minutos, a sueca resistiu às vozes críticas de alguns dos passageiros, um dos quais até lhe tentou tirar à força o telemóvel, e às tentativas da tripulação em sentar-se.

"Estou a fazer o que posso para salvar a vida de uma pessoa"

"O que é mais importante? Uma vida ou o seu tempo? Quero que ele saia do avião porque no Afeganistão ele não está seguro. Estou a tentar mudar as leis do meu país. Não concordo com elas. Não é certo mandar as pessoas para o inferno", reagia Ersson, manifestando-se contra a política de deportação da Suécia, que considera o Afeganistão um país seguro. "Provavelmente ele vai ser morto [no Afeganistão]", alertou.

A jovem sueca não desarmou e manteve o protesto a favor do refugiado, de 52 anos. "Enquanto uma pessoa estiver de pé, o avião não pode descolar. Tudo o que eu quero é parar a deportação", sublinhava. "Estou a fazer o que posso para salvar a vida de uma pessoa".

A determinação da estudante deu resultados: o afegão acabou por ser levado para fora do avião, escoltado por elementos do serviço prisional sueco, relata a BBC. Um momento que deixou a estudante em lágrimas enquanto se ouvia os aplausos da maioria dos passageiros que estavam naquele avião, como um turco, que demonstrou o seu apoio, e uma equipa de futebol, que desde o primeiro momento fez saber que apoiava a causa da estudante.

A empresa pública que gere a maior parte dos aeroportos suecos, Swedavia, confirmou que o requerente de asilo saiu do avião, assim como a jovem estudante.

De acordo com o The Guardian , que cita a imprensa sueca, Elin Ersson comprou o bilhete de avião depois de saber, juntamente com outros ativistas, que um afegão iria estar nesse voo para ser deportado.

Apesar dos esforços de Ersson, as autoridades suecas mantêm, no entanto, a decisão de deportar o afegão, que está sob custódia das autoridades, revela a estação de rádio alemã Deutsche Welle (DW).

Já a estudante sueca, apesar de considerar que não infringiu nenhuma regra, pode enfrentar, de acordo com o DW, uma multa ou seis meses de prisão por não obedecer às ordens do comandante do avião.

Um protesto que captou as atenções para a política de imigração da Suécia. No início do ano, o país de Ersson anunciou que iria repatriar cerca de 80 mil migrantes, quase metade dos 163 mil que chegaram em 2017 ao território sueco.

[Notícia atualizada às 19.30]

Exclusivos

Premium

Nuno Severiano Teixeira

"O soldado Milhões é um símbolo da capacidade heroica" portuguesa

Entrevista a Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo ministro da Defesa. O autor de The Portuguese at War, um livro agora editado exclusivamente em Inglaterra a pedido da Sussex Academic Press, fala da história militar do país e da evolução tremenda das nossas Forças Armadas desde a chegada da democracia.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.