Estreia de Trudeau e Turnbull num G20 em que Merkel é veterana

Síria, refugiados e luta contra o terrorismo vão dominar cimeira dos mais ricos que tem Erdogan como anfitrião.

Quando os líderes do G20 se reuniram pela primeira vez numa cimeira de chefes do Estado e do governo, em 2008, o mundo despertava para uma das mais graves crises económicas dos nossos tempos. Amanhã, os dirigentes de 19 das mais fortes economias mundiais e da UE sentam-se à mesa em Antália, na Turquia, sem a crise totalmente ultrapassada, mas com outros assuntos em cima da mesa. Guerra na Síria, luta contra o terrorismo e refugiados não podem faltar na agenda ou não decorresse a cimeira a apenas 500 quilómetros da fronteira síria.

E se por um lado as atenções se vão concentrar no anfitrião Recep Tayyip Erdogan, o presidente da Turquia, na presidência rotativa do G20, e responsável em grande parte pela introdução dos temas do terrorismo, da Síria e dos refugiados na agenda, por outro o mundo vai ficar atento às duas estreias desta reunião. Por um lado, o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, que há menos de um mês conquistou uma inesperada maioria absoluta no Parlamento. Por outro o australiano Malcolm Turnbull, que em setembro sucedeu a Tony Abbott como primeiro-ministro depois de o ter derrotado na corrida à liderança do partido.

Rodeado por um apoio popular que os media internacionais definem como Trudeaumania, o líder canadiano tem na Turquia a estreia em cimeiras internacionais. Trudeau explicou ao The Star que a sua prioridade é promover mais investimento e menos austeridade. "Para criar mais crescimento global e apoiar a classe média temos de investir no futuro", afirmou. Quanto aos refugiados, o primeiro-ministro, que anunciou estar disponível para receber 25 mil sírios, sublinhou que "a comunidade internacional tem de fazer mais para ajudar países como a Turquia que estão nas proximidades" de uma Síria em guerra há quatro anos e meio e que recebem o grosso dos refugiados (dois milhões nos campos turcos).

Depois de Abbott ter sido o anfitrião da última cimeira do G20 (ficou famosa a sua foto com Putin com dois koalas ao colo), desta vez a Austrália faz-se representar por Turnbull. Muito crítico da política do antecessor com os refugiados, o primeiro-ministro australiano tem agora a oportunidade de defender uma maior integração.

Do grupo original que se reuniu em 2008 em Washington, apenas Angela Merkel estará presente em Antália. No poder desde 2005, a chanceler alemã é a única líder a ter estado nas nove reuniões anteriores de chefes do Estado e do governo. Apenas a Argentina Cristina Kirchner poderia igualar esse feito, mas depois de ter falhado a cimeira de 2014 devido a uma infeção intestinal que a obrigou a ser internada, este ano também não estará presente por estar a acompanhar a campanha para a sua sucessão - a segunda volta das presidenciais argentina terá lugar no dia 22. Voltará a fazer-se representar pelo ministro das Finanças, Axel Kicillof.

Apesar de já ter sido eleito presidente, o americano Barack Obama falhou a primeira cimeira, onde os EUA ainda se fizeram representar por George W. Bush. E Erdogan, que agora volta como anfitrião, não foi a Brisbane em 2014, uma vez que a Turquia se faz representar pelo primeiro-ministro, cargo ocupado desde agosto do ano passado por Ahmet Davutoglu. O russo Vladimir Putin, por seu lado, só participa desde 2012, uma vez que apesar de já ter sido presidente antes, as primeiras cimeiras do G20 o apanharam como primeiro-ministro (a presidência estava nas mãos de Dmitri Medvedev, que agora é o primeiro-ministro). O país que mais líderes diferentes enviou ao G20 foi o Japão: Shinzo Abe é o quinto primeiro-ministro a ir às cimeiras. Logo seguido por Itália, com Matteo Renzi a ser o quarto líder a representar o país.

Mais do que um fórum económico

Criado em 1999, o G20 é um fórum internacional que reúne representantes de países que constituem 90% do PIB mundial. A Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e EUA junta-se a UE, representada pelo presidente da Comissão Europeia.

A partir de 2008, às reuniões mais técnicas dos ministros das Finanças, representantes dos bancos centrais e de instituições financeiras como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial, passou a haver reuniões de chefes do Estado e do Governo - duas por ano até 2011, anuais a partir daí. Além dos membros do G20, as cimeiras costumam ter alguns países convidados. Como é o caso de Espanha, que enquanto 14.ª economia mundial é um dos convidados permanentes.

Com posições divergentes em relação tanto aos refugiados como à Síria, os analistas não esperam que o comunicado final traga uma posição comum forte. Depois de no ano passado o presidente russo Vladimir Putin ter ficado isolado devido à crise na Ucrânia, desta vez surge em posição de força devido à intervenção na Síria contra o Estado Islâmico. Mas o seu apoio ao presidente sírio Bashar al-Assad, velho aliado de Moscovo, irrita os Estados Unidos. E a Casa Branca já deixou claro que não está previsto qualquer encontro entre Obama e Putin. Mesmo se "não podemos afastar que se cruzem num corredor ou noutro sítio qualquer e tenham uma oportunidade informal para falar", admitiu o porta-voz Josh Earnest.

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