Tribunal obriga empresa a igualar salários de homens e mulheres

Embaladoras de fruta e hortaliças queixaram-se por receber menos que os colegas homens que trabalham como operários de armazém. Tribunal deu-lhes razão

Um grupo de embaladoras de frutas e hortaliças de uma empresa comercializadora de produtos agrícolas em Almeria, Espanha, ganhou uma batalha judicial pela equiparação de salários aos colegas - todos homens - que trabalham como empregados de armazém. Argumentando que os dois grupos pertencem a diferentes categorias profissionais, a empresa pagava 6,77 euros aos empregados de armazém, e 6,50 euros às embaladoras. Uma diferença de 4,2%, ainda assim longe da média de 13% da desigualdade salarial entre géneros, no país vizinho.

O tribunal, como conta hoje o diário El País, teve um entendimento diferente, concluindo que a empresa tem de equiparar os salários, dado que estão em causa funções "praticamente" idênticas. E se a empresa alegava que os homens têm um trabalho predominantemente físico, o tribunal de Almería contrapôs que, com a maquinização do processo de produção, os esforços físicos exigidos aos operadores de armazém não são muito superiores aos que são exigidos às próprias embaladoras. Segundo a sentença, as embaladoras podem mover diariamente até 4000 quilos de melancia ou manejar caixas de pepinos que chegam a pesar 18 quilos. "Na prática, as mulheres desempenham mais funções que os homens" e esse maior esforço "não só não é recompensado em termos económicos, como é remunerado abaixo do salário dos homens que trabalham nos armazéns", sublinha o tribunal da Andaluzia.

"Ganhamos menos 25 ou 30 euros por mês, que não é assim tanto. O que nos incomoda é que não nos considerem iguais quando fazemos tanto esforço como eles e temos mais stress e pressão psicológica", afirmou ao mesmo jornal Rocío Viciana, trabalhadora da empresa visada e sindicalista. A decisão abarca as 350 trabalhadoras da empresa, que recorreu da sentença.

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