Sánchez vai a debate de investidura a 22 de julho ainda sem apoios suficientes

Com a marcação da data, líder socialista põe a contar o calendário para uma eventual repetição das eleições, que percorridos todos os prazos, e caso não consiga o apoio dos deputados suficientes, podem ser a 10 de novembro.

O candidato do PSOE e primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, vai tentar ser confirmado nesse cargo num debate de investidura que começa no dia 22 de julho, apesar de não ter ainda os apoios necessários.

Sánchez comunicou essa data numa conversa telefónica que teve esta terça-feira com a presidente do Congresso dos Deputados, Meritxell Batet, a partir de Bruxelas, onde está retido numa cimeira de líderes europeus que foi suspensa na segunda-feira e continua hoje para tentar chegar a um acordo sobre a distribuição dos principais cargos da União Europeia.

"O debate de investidura inicia-se a 22 de julho" próximo e uma primeira votação terá lugar no dia seguinte, 23 de julho, anunciou Batet depois da conversa que teve com Sánchez.

Sánchez e Batet defendem que o objetivo é que a investidura vá para a frente e não seja só um debate, apesar de o líder socialista ainda não contar com os apoios necessários -- precisa de uma maioria absoluta na primeira votação (176 de 350 possíveis) e de uma maioria simples na segunda, 48 horas depois.

Reações dos partidos

A porta-voz parlamentar do Podemos, Irene Montero, acusa o socialista de procurar uma "investidura falhada sem negociar nada com ninguém para pressionar o Ciudadanos", continuando a defender que é possível um "governo de coligação progressista já em julho". O Podemos quer ter cargos no governo em troca do apoio a Sánchez, algo que este recusou fazer até agora.

Montero acusou ainda a presidente do Congresso de "falta de respeito institucional desnecessária", já que não anunciou aos grupos parlamentares com antecedência a data da investidura. Estes terão sabido através dos media.

O líder do Ciudadanos, Albert Rivera, recusa voltar a ir ao palácio da Moncloa para mais uma ronda de negociações. "Não tenho mais nada a falar" com Sánchez, referiu, queixando-se do atraso na formação do governo. Sobre a hipótese de que haja novas eleições, Rivera rejeitou a ideia de "bloquear um país" por "uma questão de egos" e de "cargos".

O líder do PP, Pablo Casado, acredita que Sánchez está a tentar forçar novas eleições, dizendo que esse não é um cenário que amedronta o seu partido, mas avisa que "a estabilidade polícia negoceia-se na bolsa e a economia não está para piadas".

Prazos a correr

Caso falhe a investidura -- Sánchez ainda não tem o apoio necessário para passar o teste -- líder socialista tem dois meses para voltar a apresentar-se a votação. Caso esse prazo chegue ao fim, o rei irá dissolver o Congresso e o Senado e convocar novas eleições.

A partir do momento em que o rei dissolve o Congresso, começa a contar o prazo de 47 dias para a realização de eleições. Depois de em 2016 os espanhóis terem sido obrigados a ir novamente às urnas por os partidos não chegarem a acordo, o prazo foi reduzido (era antes de 54 dias), já que a campanha durará apenas uma semana e não as habituais duas. A investidura a 23 de julho implica eleições a 10 de novembro.

(Notícia atualizada às 15.00 com reações dos partidos)

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