Envolvimento alemão na Síria custará 134 milhões de euros

Aviões alemães ficarão na base de Incirlik e voarão só em missões de reconhecimento.

O governo de Berlim aprovou ontem o envolvimento da Alemanha no conflito sírio, com a participação de seis aviões Tornado, um aparelho para reabastecimento aéreo, uma fragata que irá participar na proteção do porta-aviões francês Charles de Gaulle, a atuar no Mediterrâneo oriental contra o Estado Islâmico (EI), além de 1200 efetivos. A decisão terá ainda de ser votada no Bundestag, mas está garantida a sua passagem pela maioria dos deputados da CDU-CSU e do SPD, partidos que integram o Executivo de coligação da chanceler Angela Merkel.

O envolvimento da Alemanha, que resistira até agora a um papel ativo no conflito, tem o custo previsto de 134 milhões de euros, segundo estimativas de Berlim, e irá prolongar-se por um ano. A presença dos meios alemães não corresponderá ao envolvimento em operações militares. Os Tornado irão efetuar apenas missões de reconhecimento, começando a atuar em janeiro e ficando instalados na base de Incirlik, Na Turquia, de onde operam também aviões dos EUA.

A ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, garantiu que a decisão fora ponderada e que Alemanha não estava a ser arrastada para o conflito por terceiros. Notou que há apenas "um ponto assente: não haverá colaboração com Assad nem com as forças sob seu comando", mas indicou que, no plano de uma solução política, os círculos do regime - não Assad - deveriam ser tomados em consideração para não repetir os erros sucedidos no Iraque.

Referindo-se ao conflito na Síria, que vai entrar no quinto de existência em março, o presidente Barack Obama considerou ontem indispensável que a Turquia sele a fronteira com aquele país para impedir a entrada e saída de islamitas e a venda de petróleo pelo EI.

Falando à partida de Paris, onde se encontrou com os presidentes François Hollande e Recep Tayyip Erdogan, Barack Obama disse ser essencial "impedir a chegada de novos combatentes". Para Obama, é evidente que os aviões russos vão continuar a bombardear as milícias da oposição, em vez de concentrarem os seus ataques em alvos do EI. Obama acredita, contudo, na possibilidade de se concretizarem acordos de cessar-fogo locais, como o formalizado ontem em Homs (ver texto nestas págs.).

Sobre o incidente de que resultou o abate de um Sukhoi-24M russo por caças turcos, Obama afirmou que os "EUA apoiam o direito da Turquia se defender a si própria e o seu espaço aéreo", ao mesmo tempo que apelava a Ancara e Moscovo para trabalharem no sentido de reduzirem a tensão.

Para o presidente da Turquia, país que viu ontem serem aprovadas em Moscovo sanções comerciais, "as tensões na região entristecem-nos. E estão a prejudicar ambos", quer a Rússia quer a Turquia.

Noutro desenvolvimento relativo à Síria, a Aliança prepara o reforço da sua presença na Turquia e no Mediterrâneo com a deslocação para a região de novos meios militares. Na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 países membros - em que não participou o ministro Augusto Santos Silva por coincidir com o início do debate sobre o programa do governo que se inicia hoje em São Bento -, a questão é hoje discutida no último dia do encontro em Bruxelas.

Falando à entrada da reunião, o secretário-geral Jens Stoltenberg reconheceu que "estar a viver-se um ambiente em questões de segurança que é preocupante. Há ataques terroristas, instabilidade violenta e quebra das regras internacionais".

Stoltenberg assegurou que a "NATO tem apoiado a Turquia desde há décadas e temos planos de defesa preparados para a Turquia e no ano passado reforçámos as defesas áreas" deste país. O responsável da Aliança Atlântica referiu, a título de exemplo, que a Espanha já deslocou uma bateria de mísseis antiaéreos Patriot para território turco e que os aviões americanos baseados em Incirlik vieram reforçar a defesa aérea da Turquia e que o mesmo irá suceder com a deslocação, a curto prazo, de aviões de combate britânicos para aquela base. As baterias Patriot americanas e alemãs que estavam na Turquia, foram retiradas deste país pouco antes do incidente com o Sukhoi-24M, no âmbito de uma decisão tomada semanas antes.

Explosão em Istambul

Uma explosão sucedeu ontem ao final da tarde numa estação de metro à superfície do centro de Istambul, Bayrampasa, causando seis feridos. Segundo a edição em inglês do jornal Hurriyet, a explosão deveu-se a um engenho explosivo de natureza artesanal, tendo obrigado ao encerramento de toda a rede de metro da cidade.

Àquele diário, o governador da cidade, Vasip Sahin, recusou-se a confirmar a natureza da explosão, sugerindo que esta poderia ter na origem numa instalação elétrica. Imagens captadas no local mostram que a explosão coincidiu com a passagem de um comboio.

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