Entre a proteção de dados e a prevenção de atos terroristas: o difícil trabalho dos serviços secretos

Os serviços secretos falharam na deteção dos ataques terroristas em Paris. Mas poderiam de facto ter feito alguma coisa?

Muitas conversas de telemóvel terão acontecido para planear os ataques de sexta-feira - assim foi antes de um avião russo ter sido abatido, há duas semanas, como antes de praticamente todos os atos terroristas. E é precisamente essa atividade anormal e o teor das conversas que, sendo detetado, permite ativar os alarmes e impedir dezenas de planos de atentados. Mas neste caso, tudo parece ter passado ao lado das secretas.

Há quem aponte os ataques a Paris como vingança pela morte do carrasco mais famoso do Estado Islâmico, Jihadi John, no dia 12, mas é pouco provável que os atentados de sexta-feira tenham sido uma reação. Pela forma como ocorreram - em vários locais, em horas aproximadas, tendo por alvo os cidadãos, e não símbolos ou instituições oficiais -, as autoridades estão mais inclinadas a aceitar que se terá tratado de um ato planeado durante meses. E se assim foi, terá havido muitas combinações feitas ao telemóvel.

Porque é que não foram detetados, então? Não é que os serviços secretos andassem distraídos. O problema é que as preocupações com a proteção de dados e a forte encriptação de que os smartphones são capazes atualmente têm sido importantes obstáculos à capacidade de escutar conversas potencialmente perigosas. Enquanto as empresas que fornecem os serviços de telecomunicações são obrigadas - ou fazem-no para se proteger - a encriptar os dados sobre os seus clientes e a guardar a sua privacidade, o trabalho das secretas é dificultado.

Mesmo as atuais aplicações que permitem, muitas vezes de forma gratuita, de chamadas, videochamadas e mensagens escritas são um bloqueio dificilmente ultrapassável. E uma ferramenta muito útil para os terroristas.

Os serviços de inteligência europeus - sobretudo os britânicos e os franceses - têm lutado para conseguir mais poderes, de forma a contornar impedimentos legais e tecnológicos cada vez mais evoluídos. Mas é um processo que precisa de solução rápida, se queremos equilibrar as armas com as daqueles que ameaçam a liberdade ocidental.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG