Engenheiros italianos vão levar dois meses para começar a reparar barragem de Mossul

Estrutura está a ponto de colapsar, mas governo iraquiano não vê risco iminente

Os engenheiros italianos contratados para prevenir o colapso catastrófico da maior barragem hidroelétrica do Iraque vão precisar de, pelo menos, dois meses para avaliar a estrutura antes de começar os trabalhos de reparação mais significativos, disse à agência Reuters o porta-voz do Ministério dos Recursos de Água iraquiano.

Segundo Mahdi Rasheed Mahdi, poderá mesmo ser necessário esperar seis meses até que se iniciem as reparações, já que o grupo italiano responsável, o Trevi Group, precisa de transportar equipamento especializado para tapar as brechas que se abriram na estrutura, causadas pela erosão.

A barragem, próxima da cidade de Mossul, foi construída na década de 1980 sobre uma placa de pedra de gesso, junto à margem do rio Tigre, e precisa de manutenção constante para evitar o colapso. O trabalho de manutenção foi interrompido durante duas semanas em agosto de 2014, altura em que a barragem esteve sob o domínio do Estado Islâmico. A ação terrorista levantou de imediato preocupações para eventuais danos irreparáveis nas fundações da estrutura: o colapso da barragem iria devastar Mossul e outras cidades ao longo do rio, incluindo Bagdade, a capital iraquiana, e causar centenas de milhares de mortes.

Ao telefone com a Reuters, Mahdi frisou que a construtora italiana precisa de tempo para deslocar o equipamento e que a situação já tinha sido prevista, garantindo que não existe um risco iminente de colapso, uma vez que alguns trabalhos menores de manutenção têm sido feitos. O mesmo responsável refere que o contrato com a empresa italiana não será uma solução permanente.

Nos últimos meses, várias entidades internacionais têm alertado para os riscos que correm os habitantes das povoações na região, que seriam imediatamente submersas caso a parede da barragem cedesse, mas o Governo iraquiano tem desvalorizado a gravidade da situação e pediu apenas à população que se mantivesse a seis quilómetros de distância da margem do rio Tigre.

O controlo da barragem foi entretanto recuperado pelos peshmerga, combatentes curdos aliados da coligação internacional liderada pelos EUA cujo objetivo é lutar contra os grupos terroristas. O Iraque assinou um contrato de cerca de 273 milhões de euros com o Trevi Group, que ao longo de 18 meses irá reforçar e fazer manutenção da estrutura de cerca de 3,6 quilómetros de comprimento.

A Itália já admitiu que, durante a reconstrução, irá enviar 450 militares para o local, para que protejam a barragem de Mossul, próxima de território dominado pelo Estado Islâmico.

Com Reuters

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