Empresa na origem dos Papéis do Panamá trabalhou para banco ligado ao terrorismo

O banco FBME Ltd, com sede nas Illhas Caimão, foi cliente da sociedade de advogados Appleby

A empresa na origem da fuga de informação que permitiu começar a investigação aos Papéis do Panamá forneceu serviços offshore a um banco acusado de facilitar o financiamento do terrorismo, crime organizado e ainda o programa de armas químicas do governo sírio, segundo o The Guardian.

Segundo a investigação do jornal britânico, o banco FBME Ltd, com sede nas Illhas Caimão, foi cliente da sociedade de advogados Appleby durante mais de uma década e, pelo menos, até um ano depois do relatório do Tesouro dos EUA ter publicado um relatório pouco favorável ao banco.

O banco negou as acusações de financiamento ao terrorismo, assumindo, no entanto, que a Appleby foi intermediária em alguns negócios, desde 2004. E terá deixado de o fazer de forma formal e oficial, 17 meses depois do relatório americano ter sido publicado, em dezembro de 2015, depois da referida sociedade de advogados "ter recusado renovar o registo do FBME Ltd apesar de não haver quaisquer provas de quaisquer infrações", segundo disse ao jornal o porta-voz do banco.

Segundo o The Guardian, o FBME, surge descrito como "uma instituição financeira que gera preocupações sobre lavagem de dinheiro" num relatório publicado em julho de 2014 pela Rede de Combate aos Crimes Financeiros (Fincen) do Tesouro norte-americano. E foi banido do sistema financeiro dos EUA já em 2017.

A sociedade de advogados Appleby esteve no centro de uma fuga de informação - que começou os Papéis do Panamá - quando milhares de ficheiros internos da empresa foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e analisados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) a nível mundial.

Em novembro do ano passado, no âmbito dessa investigação, começaram a aparecer notícias sobre as críticas que os inspetores e reguladores de múltiplas jurisdições fiscais fizeram à Appleby, acusando a firma de advogados de não cumprir as regras em vigor de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

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