Embaixador na NATO: lei marcial "não interferirá no processo das eleições"

O embaixador da Ucrânia junto da NATO, Vadym Prystaiko, avisa que a "escalada da tensão é que ditará os passos seguintes", na sequência dos incidentes no mar de Azov.

Entrevistado em Bruxelas pelo DN, no final da reunião convocada de Urgência para gerir a "agressão" da armada russa, a embarcações da marinha ucraniana, no mar disputado por os dois lados de "uma guerra híbrida" que já leva "quatro ou cinco anos", o embaixador garantiu que eventual ativação da lei marcial "não interferirá no processo das eleições". Do encontro do conselho da Aliança saíram reiterados pedidos de libertação dos marinheiros detidos pela armada russa e apelos ao alívio da tensão.

Sai satisfeito da reunião?

Os Aliados enviam o recado a Moscovo sobre as consequências das ações, mas para já apelam ao diálogo de parte a parte, e esperam uma solução pela via política.

Esperava outro apoio?

Antes de mais, é muito importante que tenhamos conseguido o encontro, no mesmo dia em que o pedimos. Isso demonstra que percebem a origem deste encontro e que estão ansiosos por conhecer o que se está a passar na Ucrânia e em como tudo pode evoluir.

Relatou-lhes a situação...

Os Aliados perguntaram porque é que a Rússia está a fazer isto agora, porque é que abriram fogo diretamente sobre os soldados ucranianos, ao fim de quatro ou cinco anos de uma guerra híbrida, o que é que mudou, qual foi a razão. Posso dizer que foi muito boa a forma como acolheram a nossa posição.

Sai com o sentimento de um apoio firme da NATO?

Os Aliados querem mesmo que haja um alívio da situação. Pediram-no à Ucrânia e esperam que a Rússia faça o mesmo. Houve três prioridades que os Aliados mencionaram. A primeira é para a libertação dos marinheiros detidos, especialmente os seis que estão feridos. A segunda é para a abertura da navegação, porque o estreito [de Querche] é utilizado pelas duas nações. E nós não queremos que as nossas embarcações sejam travadas e impedidas de entrarem no nosso próprio mar de Azov e nas nossas zonas costeiras. E, em terceiro, temos de perceber como nos vamos desembaraçar e como vamos resolver toda a situação. O secretário-geral mencionou abertamente que há sempre um preço para toda e qualquer escalada da tensão e para todo e qualquer movimento [de agressão].

Os Aliados também foram muito claros relativamente às condições de uma eventual ativação da lei marcial, nomeadamente que tal não contaminasse o processo eleitoral, das presidenciais de 31 de março do próximo ano. Trouxe respostas a esta reunião?

O nosso presidente [Petro Poroshenko], mesmo que o Parlamento vote a favor da lei marcial - o que está a ser discutido agora mesmo, enquanto conversamos - pede que seja limitado no tempo, antes das eleições. Por isso, não interferirá no processo das eleições. Só chegaria a 1 de janeiro do próximo ano.

O secretário-geral não o enfatizou, mas quando a NATO apela ao alívio da tensão [de-escalation] não está a falar apenas para uma das partes. Trouxe compromissos da parte da Kiev?

Nós prometemos reformas e um processo democrático, o que na Ucrânia não será dificultado pela lei marcial. Também teremos de preparar as zonas costeiras, especialmente as regiões próximas ao mar de Azov, porque a escalada da tensão é que ditará o que faremos a seguir.

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