"Embaixador" do Papa em França investigado por assédio sexual

Núncio apostólico Luigi Ventura terá "tocado" num jovem funcionário da Câmara de Paris.

Luigi Ventura de 74 anos é o núncio apostólico na França desde 2009 e neste momento está a ser investigado por ter "tocado" num jovem funcionário do município de Paris, que o recebeu durante uma cerimónia na Câmara Municipal, noticia o jornal francês Le Monde.

A 23 de janeiro, a Câmara de Paris enviou ao Ministério Público um relatório denunciado o caso, após o que o Promotor da República de Paris, Rémy Heits, abriu uma investigação por abusos sexuais.

Os fatos denunciados ocorreram a 17 de janeiro durante os tradicionais votos de ano novo de Anne Hidaldo às autoridades civis, diplomáticas e religiosas. Todos os anos, os presidentes e representantes de associações religiosas e corpos diplomáticos se encontram com a presidente da câmara. Entre eles o representante do Papa - a nunciatura apostólica é a representação diplomática mais antiga em França.

Durante a cerimónia, o bispo Ventura terá deixado "algumas vezes" uma mão errante a tocar num jovem da Delegação Geral para as Relações Internacionais da Câmara de Paris, que estava responsável por receber o núncio.

O Papa Francisco convocou para uma cimeira no Vaticano, de 22 a 24 de fevereiro, os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo para falar de pedofilia e proteção de menores. O Papa quer que os bispos saibam exatamente o que fazer "para prevenir e combater o drama mundial dos abusos".

Aproveitando esse evento, no dia 21, será publicado em todo o mundo o livro No Armário do Vaticano - Poder, Hipocrisia e Homossexualidade, no qual Frédéric Martel afirma que o Vaticano "é uma das maiores comunidades homossexuais do mundo". Além da questão da homossexualidade são tratados outros temas polémicos que estão ligados ao principal: o celibato dos padres, a interdição do preservativo pela Igreja, a cultura do segredo em torno do tema do abuso sexual, a demissão do papa Bento XVI, a misoginia do clero, o fim das vocações para o sacerdócio e os ataques ao papa Francisco.

Já em 1954, o escritor francês e antigo diplomada Roger Peyrefitte descreveu no romance polémico Les Clès de saint Pierre como um seminarista de 22 anos se envolve com um cardeal, falando abertamente da homossexualidade na igreja católica.

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