Dono de restaurante em Paris recusa-se a servir duas muçulmanas

Vídeo do momento foi partilhado nas redes sociais pelas próprias mulheres, que usavam 'hijab', lenço islâmico que cobre a cabeça e o pescoço

"Os terroristas são muçulmanos e todos os muçulmanos são terroristas". Este é um dos argumentos que o proprietário de um restaurante em Tremblay-en-France, Paris, usou no sábado para justificar porque não queria servir duas mulheres muçulmanas, que foram ao seu estabelecimento usando o tradicional 'hijab', lenço islâmico que cobre a cabeça e o pescoço.

As duas mulheres fizeram um vídeo do momento: apesar de não focarem o proprietário do restaurante Cénacle, é possível ouvir a conversa entre os três. "Não queremos ser servidas por racistas", diz uma delas, enquanto o indivíduo responde: "Racistas não matam pessoas". E sublinha: "Não quero pessoas como vocês no meu restaurante".

O vídeo, divulgado nas redes sociais, recolheu inúmeros comentários. Alguns aplaudem a atitude do dono do restaurante, enquanto outros lamentam o acontecido e incentivam as mulheres a apresentar queixa. Segundo o Le Parisien, o Ministério Público abriu um inquérito ao incidente por "discriminação de caráter racial".

Já este domingo, o proprietário do estabelecimento, identificado como Jean-Baptiste, foi confrontado por vários membros da comunidade muçulmana local, que questionaram as declarações que fez na noite anterior. Imagens do momento - de tensão - foram colocadas também nas redes sociais.

Jean-Baptiste pediu desculpa e garante que não pensa o que defendeu no sábado: "Um amigo meu morreu no Bataclan, misturei tudo. Aquilo que disse, não o penso de maneira nenhuma", justificou, citado pelo Parisien.

Também o Governo francês reagiu: a ministra das Famílias, das Crianças e dos Direitos das Mulheres, Laurence Rossignol, informou que encarregou a delegação interministerial de luta contra o racismo e antissemitismo de averiguar o acontecido e aplicar eventuais sanções ao "comportamento intolerável" do dono do restaurante.

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