Dois tunisinos condenados à morte por envolvimento com o terrorismo

Desde a revolução de 2011, a Tunísia tem sido atingida por vários atentados, sendo os três maiores em 2015 e reivindicados pelo Estado Islâmico.

Dois tunisinos foram condenados à morte e outras 16 pessoas a penas que variam de quatro a 36 anos de prisão por dois casos de "terrorismo" que remontam a 2014, anunciou esta quarta-feira o Ministério Público da Tunísia.

Destas 18 pessoas, nove estão presas e as demais estão a monte e foram julgadas à revelia, disse à agência France Presse o porta-voz do Ministério Público, Sofiène Sliti.

Em outubro de 2014, poucos dias antes das eleições legislativas na Tunísia, a polícia cercou uma casa zona popular de Oued Ellil, perto de Tunes, onde se haviam entrincheirado vários jihadistas, tanto homens como mulheres.

Na noite anterior, houve confrontos entre as forças de segurança e jihadistas em Kébili, cidade no sul da Tunísia, e um polícia foi morto pelos rebeldes.

As autoridades conseguiram informações de dois terroristas, entre os que foram presos, e lançaram o assalto à casa perto da capital tunisina.

Um polícia foi morto em Oued Ellil, bem como e seis jihadistas, cinco mulheres e um homem, de acordo com as autoridades locais.

Os nove que se encontram presos foram considerados hoje culpados de implicação no tiroteio de Oued Ellil, com penas que variam de quatro a 24 anos "por pertencerem a um grupo terrorista", de acordo com o Ministério Público.

Entre estes, dois também foram condenados à morte por "homicídio voluntário", no caso da morte do polícia em Kébili.

As condenações à morte continuam a ser pronunciadas na Tunísia, apesar do país observar uma moratória desde 1991. A lei antiterrorista adotada em julho de 2015 manteve a pena de morte, apesar dos apelos de várias ONG para a sua abolição.

Os nove que estão em fuga apanharam 36 anos de prisão por "pertenceram a um grupo terrorista", "apelar à jihad" e "implicação em crimes de terrorismo", disse o porta-voz.

Desde a revolução de 2011, a Tunísia tem sido atingida por vários atentados, sendo os três maiores em 2015 e reivindicados pelo grupo terrorista Estado Islâmico.

As autoridades tunisinas afirmam que a situação de segurança está "sob controlo", mas hoje apelaram à vigilância.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?