Diretor de ballet demitido por ter afastado bailarina que engravidou

Yorgos Loukos dirigia o Ballet de Lyon e já tinha sido condenado por discriminação. Agora, foi demitido por ter dito à bailarina de 34 anos que dificilmente iria ser melhor em palco após ter dado à luz um filho e regressado ao trabalho após a licença de maternidade.

O diretor de um ballet francês foi demitido por ter despedido uma bailarina que tinha dado à luz um filho, confirmou o ministério da cultura francês esta sexta-feira.

Os sindicatos já pediam que Yorgos Loukos, nascido na Grécia, fosse demitido depois do coreógrafo ter perdido um recurso à sua condenação por discriminação contra a bailarina Karline Marion, que tinha 34 anos na época, em 2014. Loukos foi condenado a pagar a Marion 5.000 euros de indemnização e a pagar uma multa de 1.500 euros.

O caso ocorre após um protesto semelhante em 2018, quando a solista Gaela Pujol foi demitida pelo Nice Ballet após ter engravidado pela segunda vez. A bailarina está agora a processar o diretor do ballet Eric Vu-An por assédio e discriminação.

Loukos, 69 anos, que era diretor do Ballet de Lyon há 33 anos, foi demitido na quinta-feira depois de o conselho de administração do ballet ter votado por unanimidade a sua saída.

Como a grande maioria das bailarinas de França, Marion teve um contrato temporário durante os seus cinco anos na companhia de ballet. Em 2014, com o lugar prestes a tornar-se permanente nos termos da lei francesa, porque havia cumprido cinco contratos, Marion foi dispensada dois dias depois de ter voltado da licença de maternidade.

Na época, Loukos disse às autoridades municipais que pagam os salários dos bailarinos que tinha afastado Marion por causa da sua "fraqueza física e estilística". Acrescentou que o estilo da bailarina "era clássico demais", apesar de ela ter passado grande parte da sua carreira no Bejart Ballet, de forma mais livre.

Durante uma reunião com a bailarina, que ela gravou, Loukos disse: "Se entre 29 e 34 anos você fez um bom trabalho, embora não muito bom, não vai fazer muito melhor entre os 35 e os 40, principalmente com uma criança."

O mundo normalmente reservado do ballet foi abalado nos últimos anos pelo movimento #MeToo, com cada vez mais bailarinos a falarem sobre bullying e assédio sexual.

Na semana passada, o Royal Ballet, em Londres, suspendeu o principal coreógrafo, Liam Scarlett, que foi acusado de pedir a alunos que enviassem fotos em que estivessem nus.

Em 2018, um inquérito anónimo a bailarinos na Ópera de Paris constatou que 77% tinham sido intimidados ou testemunharam um colega a ser intimidado.

Em França, os bailarinos - alguns dos poucos com contratos permanentes - estão em greve desde o início de dezembro para salvar o regime de aposentadoria secular, que permite a reforma aos 42 anos.

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