Diplomata venezuelano em Lisboa reconhece Guaidó como presidente

Víctor Liendo-Muñoz, segundo secretário da embaixada da Venezuela em Lisboa, apela a que outros diplomatas e funcionários públicos apoiem o líder da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino do país

Um dos diplomatas da embaixada venezuelana em Portugal reconheceu Juan Guaidó como "único e legítimo Chefe de Estado da Venezuela". Víctor Liendo-Muñoz, segundo secretário da embaixada (cargo médio na hierarquia diplomática), apela a que outros diplomatas e funcionários públicos tomem a mesma atitude no sentido da recuperação da "liberdade, da democracia e do Estado de direito".

Num vídeo onde aparece enquadrado pela bandeira da Venezuela, Víctor Liendo-Muñoz dirige-se aos militares do seu país e à comunidade internacional, a quem pede apoio ao líder da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino do país. "Diplomatas e funcionários da administração pública, membros das forças de segurança e das forças armadas; os nosso cargos estão ao serviço do Estado para proteger o povo. Vamos cumprir o nosso dever colocando-nos do lado certo da história", reclama o diplomata, que foi colocado em Portugal há mais de uma década ainda pelo presidente Hugo Chávez.

"Diplomatas e funcionários da administração pública, membros das forças de segurança e das forças armadas; os nosso cargos estão ao serviço do Estado para proteger o povo"

Agora, Víctor Liendo-Muñoz acusa o sucessor de Chávez, Nicólas Maduro, de "usurpação". "O nosso compromisso é com a agenda de mudança definida pelo presidente Juan Guaidó, que se resume em três pontos: acabar com a usurpação; o estabelecimento de um governo de transição; a convocação de eleições livres".

Em declarações ao DN, o diplomata sublinha que a sua tomada de posição é "pessoal" e admite que fica agora numa posição de "incerteza". Isto porque apesar de Portugal ter reconhecido a 4 de fevereiro Juan Guaidó, de 35 anos, como presidente interino da Venezuela, ainda espera pela informação da Assembleia Nacional para tomar uma decisão sobre sobre a alteração do representante diplomático em Portugal.

o diplomata sublinha que a sua tomada de posição é "pessoal" e admite que fica agora numa posição de "incerteza"

Juan Guaidó nomeou no dia 19 de fevereiro José Rafael Cots Malavé Dasilva para embaixador em Lisboa, mas o ministro Augusto Santos Silva frisou no final da semana passada que, apesar de caber aos Negócios Estrangeiros instruir os processos relativos às representações diplomáticas em Portugal, as decisões envolvem vários órgãos de soberania, designadamente Presidente da República e Governo. "Aguardamos que a Assembleia Nacional venezuelana, querendo, nos comunique formalmente a decisão que terá tomado para examinarmos então, à luz do direito internacional, e também da nossa própria posição" a resposta a dar, disse Augusto Santos Silva no final da reunião do Conselho de Ministros da semana passada.

Víctor Liendo-Muñoz adianta ao DN que "ficará às ordens do novo representante de Juan Guaidó em Lisboa" quando a decisão for tomada. O DN tentou contactar o ainda embaixador venezuelano em Lisboa, Lucas Rincón Romero, assim como o Ministério dos Negócios Estrangeiros para obter mais esclarecimentos, mas não foi possível até ao momento.

Espanha rejeita "qualquer intervenção externa"

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, manifestou-se hoje em Madrid "rotundamente" contra "qualquer solução não pacífica" para a Venezuela, assim como "qualquer intervenção externa" nesse país. Pedro Sánchez também revelou que o Governo espanhol está a estudar a forma de oferecer um estatuto migratório alternativo aos venezuelanos que, depois de terem solicitado proteção internacional em Espanha, não cumprem os requisitos necessários para beneficiar do estatuto de refugiado.

Durante um debate no parlamento, o chefe do Governo espanhol informou que mais de 20.000 cidadãos provenientes da Venezuela solicitaram proteção em Espanha em 2018. Para Pedro Sánchez, a "única solução possível" para a crise naquele país da América do Sul, e também o objetivo de Espanha, é a realização de eleições democráticas na Venezuela.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro último, quando o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro. Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos. A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceu Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

*Com Lusa

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