Dinamarca é um dos países menos feministas do mundo

Sondagem YouGov-Cambridge Globalism Project, citada pelo Guardian, diz que um terço das mulheres não vê problema em que estas sejam assobiadas e alvo de piropos no meio da rua

Um em cada seis dinamarqueses não sente feminista, dois em cada cinco tem uma opinião pouco favorável em relação ao movimento #MeToo e um terço das mulheres não vê problema em que estas sejam assobiadas na rua. As conclusões são de uma sondagem YouGovCambridge Globalism Projetc, realizada junto de 25 mil pessoas em 23 país, citada pelo jornal Guardian o qual classifica a Dinamarca como um dos países menos feministas do mundo.

Isto apesar de a Dinamarca ser também um dos melhores países do mundo para se ser mulher, com uma menor desigualdade salarial, com maior paridade de direitos laborais, acesso universal aos cuidados de saúde e mulheres reformadas felizes. Rikke Andreassen, professora de Estudos de Comunicação da Universidade de Rostkilde, apresenta a seguinte explicação: "Nós tivemos sempre uma cultura sem que aquilo que dizemos e fazemos não é racista ou sexista se não tivermos a intenção que seja. Pode-se agarrar uma mulher, mas se for só na brincadeira, então, culturalmente, tendemos a desvalorizar".

Helen Frost Hansen, uma contabilista de 37 anos, questionada pela reportagem do Guardian à porta da câmara de Copenhaga, afirmou: "É difícil? O que é uma feminista moderna? Eu não quero ser igual em todos os sentidos". Charlotte Venvike, bancária de 55 anos, declarou por sua vez: "Depende do que quer dizer. Eu sou só uma pessoa normal. Não ando a marchar nas ruas". Só após entrevistar várias mulheres, os repórteres encontraram uma feminista convicta: Charlotte Mathiesen. "Claro que sim, tive três filhas e eduquei-as como feministas. Os homens têm que fazer exatamente as mesmas tarefas do que as mulheres".

Outro dado da sondagem YouGovCambridge Globalism Projetc é que apenas 4% dos homens e 8% das mulheres da Dinamarca têm uma boa impressão do movimento #MeToo, que levou mulheres de todo o mundo a denunciar casos de abusos e de assédio sexual que sobre os quais tinham até agora vergonha de falar. Na Suécia, país vizinho, esse número é de 16% e 34%, respetivamente, sendo a média, nos 23 países em questão, de 19% e 24%.

Efetivamente, refere o jornal, com base nos dados daquele estudo, as mulheres dinamarquesas até nem se importam muito se forem na rua e um desconhecido assobiar ou atirar piropos na sua direção. "Não me importo se for de uma forma simpática. Encaro isso como um elogio, para dizer a verdade. Muitas mulheres dinamarquesas até dizem que gostavam que os homens de cá fossem mais como os do Sul da Europa e lhes dissessem coisas simpáticas, afirmou Hansen, a contabilista que o Guardian entrevistou enquanto esta comia uma sandes à parta da autarquia da capital dinamarquesa.

A Dinamarca, que vai a eleições legislativas no dia 5 de junho, só teve até agora uma mulher primeira-ministra. Helle Thorning-Schmidt, social-democrata, foi chefe do governo dinamarquês entre outubro de 2011 e junho de 2015.

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