Dilma acusa governos anteriores de também terem dado "pedaladas fiscais"

"Todos os governos anteriores ao meu teriam de ter sofrido 'impeachment'", afirmou a presidente brasileira

A chefe de Estado brasileira, Dilma Rousseff, acusou hoje todos os seus antecessores na Presidência da República de também terem feito "pedaladas fiscais", crimes que estão na base do processo de destituição que enfrenta.

"O meu impeachment [destituição] baseado nisso ['pedaladas fiscais'] significaria que todos os governos anteriores ao meu teriam de ter sofrido impeachment porque todos eles, sem exceção, praticaram atos iguais aos que eu pratiquei. E sempre com respaldo legal", afirmou.

As "pedaladas fiscais" são atos ilegais resultantes da autorização de adiantamentos de verbas de bancos para os cofres do Governo para melhorar o resultado das contas públicas.

Dilma Rousseff, que falava numa cerimónia em Brasília com artistas contra o processo de destituição, argumentou que as "pedaladas" foram necessárias para dar continuidade ao pagamento de programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

"Temos de lutar para superar esse momento. Temos de lutar para poder voltar a crescer e criar na nossa sociedade um clima de união. Não adianta alguns falarem 'vamos unir o país'. Não se une o país dessa forma. Não se une o país destilando ódio, rancor, raiva e perseguição. Não se pode fazer isso", sublinhou, sem referir nomes.

O vice-Presidente da República, Michel Temer, tem defendido que a situação política é "grave" e que é necessário alguém "unificar o país".

Michel Temer, também presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), formação política que decidiu abandonar a coligação governamental na terça-feira, poderá assumir o cargo de Presidente se Dilma Rousseff for destituída do cargo.

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